domingo, 5 de outubro de 2014

Fale-me sobre sentir saudades


Então...fale para mim sobre sentir saudades que eu responderei a você de mais de uma forma diferente. 
A saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos?

Falemos com o coração, sintamos com a alma..não apenas com palavras disparadas sem sentido e olhares ao alto; mas com atitudes que demonstrem o real sentido disso tudo.
Um sentido longo, intenso e corretamente irreal nesse universo paralelo que chamamos ou proclamamos ao céus como uma falta que nos preenche de tal forma e completamente insuportável.

A saudade deixa um rastro. Já dizia Quintana: O tempo não pára, só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
Um tempo que não volta, segundos passados que se tornam incontáveis.
Deixamos para trás não apenas as pessoas, mas todas as ações que com elas faziam tanto sentido.
Hábitos...Família... amigos... aqueles conhecidos que por poucos momentos fizeram parte do nosso dia preenchendo nossas risadas, acalentando nossos abraços, apoiando as insanidades particulares e porque não deixando que nossa tristeza nos ensinasse muito mais do que deveríamos apenas para deixar que a vida seguisse e com ela nos trouxesse novos dias.
Aí esta a verdade sobre isso: não deveríamos sentir tanto.

E certamente a saudade se torna superestimada? Não mesmo.
Tenho uma saudade infinita daqueles que me são tão caros.
Você apenas descobre como transforma-la em algo seu e unicamente para uso próprio, se é que me entende. Digamos que compartilhar se torna um artigo de luxo onde poucos possuem o privilégio de conhecer, uma vez que estando fora você descobre o poder da palavra "de verdade" cercada por infinitos olás e bem vindo.
Compreende-se que quem é de verdade....reconhece quem é de mentira.

Quando se mora fora do seu país você aprende o significado de tantas coisas...nessa hora só me recordo de Fernando Pessoa: "Sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos num só momento difuso, profuso, completo e longínquo".
Aprendemos com essa insana presença da saudade batendo na porta e por isso hoje eu não tenho mais tanta certeza se deixarei de sentir tanto, porque parte de mim fica com tantos que passaram pelos meus dias e me transformaram no que seu hoje: intensa.

Mas a parte boa de tudo isso é que a felicidade está nos pequenos momentos e com eles nos sentimos preenchidos. Seja em se ver realizando algo ou apenas re-descobrindo novos hábitos. Falar de saudade é tão imparcial...você não precisa estar chorando, sorrindo ao excesso ou apenas congelado no momento, basta apenas parar, olhar e aprender com tudo isso ao redor. O significado se torna subjetivo.

Não somos feitos de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos ou assuntos mal resolvidos; Nós somos o que escolhemos a partir do momento que nos permitimos mudar com um novo cenário todos os dias, e nesse caso, a saudade se torna um presente; fazendo nos recordar de doces lugares que iremos conhecer, experiências que ainda viveremos e milhares de momentos que jamais iremos esquecer.
Tornando tudo e mais um pouco certamente singular e ímpar.

A saudade é um bom e velho companheiro de viagem.
Vale a pena cada segundo de sentimento nela empregada, pois uma vez que a sentimos, aprendemos que somos frágeis e implicitamente entregues a ela.
Deposite boas recordações, pois mais tarde ela será uma espécie de guia, onde você se coloca e a deixa conduzir.
Mas volte e construa novas histórias, seja para você ou apenas para que outras pessoas a transportem para dentro...pois sem dúvida será a maior prova de que o passado valeu a pena.

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