segunda-feira, 28 de abril de 2014

Eu


O excesso, o muito, o inesgotável.
Existe um cenário em torno de nossos próprios reflexos. Admiramos o poder de cada mudança, seja ela imensa ou pequena dentro de cada expectativa.
Não sabemos nos descrever, nos colocar no mundo. Expressamos ou relutamos?

Sentir tudo de todas as maneiras, sentir tudo excessivamente; porque todas as coisas são em verdade, excessivas.
E toda a realidade é um excesso, uma violência, uma alucinação extraordinariamente nítida que vivemos todos em comum com a fúria das almas, o centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos. 



Somos um monte confuso de forças cheias de infinito tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço. 

A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une e faz com que todas as forças que raivam dentro de nós não nos ultrapassem, nem quebrem nosso ser, não partam nosso corpo, não nos arremessem como uma bomba de espírito que espalha em sangue, carne e alma espiritualizados para entre as estrelas, para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos. 

Tudo o que há dentro de nós tende a voltar a ser tudo...
Tudo o que há dentro de nós tende a despejar-nos no chão, no vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. 

Somos se não, uma chama ascendendo, mas pendendo para baixo do que para cima, para todos os lados ao mesmo tempo, somos um globo de chamas explosivas buscando Deus e queimando a crosta dos nossos sentidos, o muro da lógica, da inteligência limitadora e gelada. 
Somos uma grande máquina movida por grandes correias; de que só vemos a parte que pega nos nossos tambores,o resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis e nunca parece chegar ao tambor de onde parte. 

Nosso corpo é um centro de um volante estupendo e infinito em marcha sempre vertiginosamente em torno de si, cruzando-se em todas as direções com outros volantes, 
que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço... mas não sabemos se não de uma outra maneira. 

Dentro de nós estão presos e atados ao chão todos os movimentos que compõem o universo, a fúria minuciosa e dos átomos, a fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos, a espuma furiosa de todos os rios que se precipitam, a
 chuva com pedras atiradas de catapultas de enormes exércitos de anões escondidos no céu. 

Somos um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio de estar dentro do corpo, de não transbordar a alma. 

Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, freme, treme, espuma, venta, viola, explode, perde-se, transcende-se, circunda-se, vive-se, rompe e foge...enfrenta. 
Se com o meu corpo todo o universo e a vida, arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes, risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos...

Sobrevivamos em todas as direções.
Ainda que complicado...afinal quem disse que seria fácil?, apenas nos disseram que valeria a pena tentar.

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