terça-feira, 4 de março de 2014

Pés descalços


É fácil apagar as pegadas; difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Não meta os pés pelas mãos...
Filosofia a parte, compreendamos que a vida é um círculo complexo que nos rodeia e as vezes, andamos tanto em brasas que optamos em caminhar descalços para enfrentar de uma vez as fortes pressões bem debaixo de nossos pés...e com isso aliviar a pressão que se acumula.

Avaliamos com tanto cuidado todas os fatos que nos são apresentados e mesmo assim apreciamos cultivar o lado crítico elevado e com todas as hipóteses contrárias gostamos dessa sensação abrasiva sobre a pele.

Seres pensantes e impetuosamente expontâneos é o que somos.

Não deixamos de acreditar em possibilidades e somamos um paralelo alto quando partimos para as ações, deixando enfim nossos passos livres para tornar cada etapa do caminho um pouco mais suave e certamente mais aberto.
Empregamos força onde a suavidade deve prevalecer, passamos por cima de tantos conflitos internos e talvez por isso quando fluímos soltos, sentimos um apreço certo de que tudo acontece na hora e lugar certo.
Compreendemos a importância de caminhar lado a lado com nossos instintos e para eles nos rendermos.

Eu acredito que é preciso escolher um caminho que não tenha fim, mas, ainda assim, caminhar sempre na expectativa de encontrá-lo, ao mesmo tempo caminhar sem rumo é uma grande arte...uma divina e completa capacidade em aprender a sermos menos.
A questão é, caminhar sem ter aonde ir, é como estar longe de si mesmo. É como não ser e nem saber mais nada sobre tudo o que você é e acredita.
Mas algo é extremamente verdadeiro: O homem que olha para o horizonte, nunca para de caminhar. 

Ao caminhar, não é apenas você que está se movendo, mas todas as gerações passadas e futuras. No mundo chamado de “real” o tempo é uma medida, mas no verdadeiro mundo não existe nada além do momento presente. 
Tenha plena consciência que tudo que já aconteceu e tudo o que acontecerá está em cada passo seu.
Mais do que isso, aprendemos que podemos caminhar sozinhos e que isso não nos torna solitários.

Então por que essa necessidade em estarmos firmes em tantos propósitos e escolhas?

Quando crianças adorávamos correr na chuva, molhávamos não apenas o corpo, mas desnudávamos o espírito para a pura e incontestável inocência.
Saboreávamos a liberdade de expressão.
Escutávamos apenas o som de nossas risadas, o bater dos pés sobre a água.....e com isso  permitíamos ao nosso interior viver sem fronteiras.

Não estou dizendo que devemos abandonar nossas convicções e vivermos presos aos conceitos; eu absolutamente não acredito nisso, apenas gostaria de poder ver as pessoas se dando uma maior oportunidade de enxergar a vida sobre um ângulo diferente. 
Tirar de baixo dos pés um mundo particular e sentir o poder das águas é uma transformação muito grande; você se permite e aí que tudo começa a fazer sentido.

Algumas pessoas sentem a chuva, enquanto outras infelizmente apenas ficam molhadas e quem deseja ver o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva, não é?...certos sentidos...
O barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro e por isso mantemos nossos pés aquecidos para darmos a nós mesmos um tempo de absorver tudo e qualquer impacto externo, silenciando assim nossos maiores barulhos internos.

Viver é não esperar a tempestade passar, é aprender como dançar na chuva.
Deixemos nossos pés descalços e contemplemos o curso das águas por debaixo de nós, ela não apenas abre caminhos, como também nos faz desviar e nos mover para outros e novos horizontes.

Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas. 
Gibran Khalil

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu registro...