segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Negações


A negação não é uma poça d'agua..é um Oceano. 
E como podemos fazer para não nos afogarmos?

É assim: Não confunda persistência com insistência. A insistência leva a negação de si próprio e ao completo desamor. Mas convenhamos; estamos sempre dispostos a negarmos tudo aquilo que não compreendemos e na maioria das vezes acreditamos no que até mesmo duvidamos.
Completamente insano.
E isso vem de muito tempo, de muitas incompreensões, de falhas tentativas e da inércia em querermos tudo, independente de tempo, lugar e óbvia razão.
Para muitos dizer não é realmente dizer sim.

Você nega suas crenças, seus valores pessoais, nega origem, sexualidade, amores não correspondidos, amizades infundadas e iniciadas ao acaso.
Nós gostamos deste molde e com o passar do tempo ele cria raízes que ocupam um espaço infundado, mas coerente para inúmeras pessoas.
Não admitimos o permissivo como um ato do enfrentamento.

E as coisas parecem perder a importância toda hora. O problema é que para perder a importância toda hora, toda hora vivem ganhando força e convenhamos, o cansaço é brutal; ele esmaga prioridades e floresce vontades que nem sequer despertam o interesse real..apenas uma satisfação momentânea e uma lúdica forma de afirmação. É uma certa tentativa de compreensão em aceitar o não como uma ferramenta de aprendizado positivo...independente de estar em constante declínio.

Cometemos o erro de substituir o conhecimento pela afirmação de que é verdade aquilo que desejamos. E neste silêncio mora uma eloquente coesão.

Sofremos com esta auto proteção?
Por que não?, desafiamos nossa sensação de liberdade, gostamos de permanecermos nessa suave linha do tempo..onde podemos e somos capazes de mudarmos todos os cenários e critérios...não gostamos de fraquezas e suas consequências, mas somos tão atraídos por ela...
Negamos o que podemos, admiramos o alheio..faz parte da existência humana ser ambivalente com suas impertinências e dúvidas; talvez por isso negar seja a coisa mais fácil que exista, mas certamente a mais dolorosa aos olhos internos.
Enxergar e ver são dois pólos tão distintos e incrivelmente estúpidos diante da sua verdade pessoal.

Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade e sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. 
Afinal...façamos o mínimo, sejamos algo... a cada momento, o melhor que afinal se consegue fazer.
Cada um com sua participação e distorção.

Você pode até negar, mas no fundo a imprudência de suas afirmações atrai certa atenção pessoal e causa um frissom agradável; aquele que o faz crer que esta acima de qualquer moral ou bom comportamento.
Carência será sempre o maior resultado de suas negações.
Se o negar não existisse, estaríamos a beira de uma insanidade coletiva. 
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo.
Se...uma conjugação imperativa que caminha acelerada.

A verdade?

A lei de ouro é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.

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