domingo, 28 de dezembro de 2014

O poder das palavras


"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las".
Voltaire.

Na vida o que mais desejamos é que nossas palavras assim como nossos atos sejam inesquecíveis, que seja representativo e que acima de tudo faça a diferença para nós e por nós.
Que através delas possamos não apenas ser nós memos, mas tudo o que nos cerca e nos faz ser quem somos e com elas nos traga a certeza que o poder das palavras tem o real sentido... a leveza do vento e a força da tempestade.

Certo como o vento que leva, as palavras possuem sentidos e direções, força e vontade.

Não nos neguemos a verdade que toma de forma crescente, pulsante e dimensional a representação que buscamos e que tão sutilmente nos é apresentada.
Tomamos as verdades que nos são dadas?...sim.

É preciso ter alguns bons hábitos, entre eles o da verdade como fonte única; alimentando as palavras que reverberamos ao mundo; um mundo sólido que tocamos e deixamos pegadas. Queremos mudar o mundo ao nosso redor, possuímos essa vontade onipresente de colorir o cinza e pluralizar a felicidade; mas adormecemos tudo com uma simples inverdade.

Por que é tão complicado ser sincero?
Quer uma verdade? Se totos soubessem o peso das palavras dariam mais valor ao silêncio.
Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser a resposta de muitas perguntas.
Contradições...

Onde moram as inseguranças...certamente imperam algumas convicções. Existe uma linha fina que traçamos onde penduramos as palavras que gostamos ou apenas permitimos manter como uma maneira de afastarmos as dores, os medos, os suspiros ansiosos...existe uma vazão para toda essa avalanche que se forma? será?
Existe sim uma libertação incrível com as palavras certas, as erradas, as confusas, as indevidas, as acaloradas, as vibrantes, as gritantes.

Falar é ouro...já dizia o ditado.
O poder de uma palavra muda tudo. Ela reverbera sua alma, expõe suas cruas necessidades e ultrapassa limites. Será você com o mundo...um mundo ao qual você decide se quer fazer parte. 
No fim cabe a você reconhecer o poder de suas palavras, ela é o seu domínio sobre o mundo.

As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos, há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
O ato de ver não é uma coisa natural...é preciso mesmo praticar.

Existem momentos na vida da gente em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir...Então a gente não diz, apenas sente.
E concretizamos assim, que o poder que possuímos muitas vezes nos impede de libertarmos todas as palavras que colecionamos em nosso caminho.
Elas acabam mesmo se tornando parte de nós.

Sorrisos e abraços espontâneos me emocionam.
Palavras até me conquistam temporariamente.
Mas atitudes me ganham para sempre.

domingo, 5 de outubro de 2014

Fale-me sobre sentir saudades


Então...fale para mim sobre sentir saudades que eu responderei a você de mais de uma forma diferente. 
A saudade diminuiu ou fomos nós que envelhecemos?

Falemos com o coração, sintamos com a alma..não apenas com palavras disparadas sem sentido e olhares ao alto; mas com atitudes que demonstrem o real sentido disso tudo.
Um sentido longo, intenso e corretamente irreal nesse universo paralelo que chamamos ou proclamamos ao céus como uma falta que nos preenche de tal forma e completamente insuportável.

A saudade deixa um rastro. Já dizia Quintana: O tempo não pára, só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...
Um tempo que não volta, segundos passados que se tornam incontáveis.
Deixamos para trás não apenas as pessoas, mas todas as ações que com elas faziam tanto sentido.
Hábitos...Família... amigos... aqueles conhecidos que por poucos momentos fizeram parte do nosso dia preenchendo nossas risadas, acalentando nossos abraços, apoiando as insanidades particulares e porque não deixando que nossa tristeza nos ensinasse muito mais do que deveríamos apenas para deixar que a vida seguisse e com ela nos trouxesse novos dias.
Aí esta a verdade sobre isso: não deveríamos sentir tanto.

E certamente a saudade se torna superestimada? Não mesmo.
Tenho uma saudade infinita daqueles que me são tão caros.
Você apenas descobre como transforma-la em algo seu e unicamente para uso próprio, se é que me entende. Digamos que compartilhar se torna um artigo de luxo onde poucos possuem o privilégio de conhecer, uma vez que estando fora você descobre o poder da palavra "de verdade" cercada por infinitos olás e bem vindo.
Compreende-se que quem é de verdade....reconhece quem é de mentira.

Quando se mora fora do seu país você aprende o significado de tantas coisas...nessa hora só me recordo de Fernando Pessoa: "Sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, realizar em si toda a humanidade de todos os momentos num só momento difuso, profuso, completo e longínquo".
Aprendemos com essa insana presença da saudade batendo na porta e por isso hoje eu não tenho mais tanta certeza se deixarei de sentir tanto, porque parte de mim fica com tantos que passaram pelos meus dias e me transformaram no que seu hoje: intensa.

Mas a parte boa de tudo isso é que a felicidade está nos pequenos momentos e com eles nos sentimos preenchidos. Seja em se ver realizando algo ou apenas re-descobrindo novos hábitos. Falar de saudade é tão imparcial...você não precisa estar chorando, sorrindo ao excesso ou apenas congelado no momento, basta apenas parar, olhar e aprender com tudo isso ao redor. O significado se torna subjetivo.

Não somos feitos de sonhos interrompidos, detalhes despercebidos ou assuntos mal resolvidos; Nós somos o que escolhemos a partir do momento que nos permitimos mudar com um novo cenário todos os dias, e nesse caso, a saudade se torna um presente; fazendo nos recordar de doces lugares que iremos conhecer, experiências que ainda viveremos e milhares de momentos que jamais iremos esquecer.
Tornando tudo e mais um pouco certamente singular e ímpar.

A saudade é um bom e velho companheiro de viagem.
Vale a pena cada segundo de sentimento nela empregada, pois uma vez que a sentimos, aprendemos que somos frágeis e implicitamente entregues a ela.
Deposite boas recordações, pois mais tarde ela será uma espécie de guia, onde você se coloca e a deixa conduzir.
Mas volte e construa novas histórias, seja para você ou apenas para que outras pessoas a transportem para dentro...pois sem dúvida será a maior prova de que o passado valeu a pena.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Encerrando ciclos





Encerrar, fechar acontecimentos...na vida enterramos muito mais que lembranças, morremos para aquilo que deixa de fazer parte de nosso ciclo vital. Sentidos, palavras e especialmente pessoas.

Existem momentos na nossa vida onde nos desprendermos daquilo que não faz parte de nós. Precisamos parar, olhar e nos perguntar: Afinal, quando foi que deixamos de ser tão imperativos com nossos sentimentos?
...Certamente quando doamos mais que recebemos...ou quando acreditamos em algo  porque fazia sentido apenas para nós.

É preciso saber quando uma etapa chega ao fim. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram e que neles nos permitimos tempo, energia e atenção que se podia.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem. O que passou não voltará, as coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar e ocupem o tempo e espaço de sua importância.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos e as vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. 

Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos que não são aceitos, promessas que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará e com isso fazer com que suas decisões não sejam um espelho de atitudes passadas.

Nada é insubstituível e um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante,
 não devido ao orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. 

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Por um pouco mais...




Por um pouco mais é o que pensamos, queremos; exigimos!
Desta vida que acordamos todos os dias, desejamos que o dia se prolongue ao máximo e por vezes que termine antes mesmo de levantarmos da cama.
Somos uma ambivalência...

Escutamos sempre que se faz necessário explorar a vida, viajar pelo mundo como uma forma de conhecermos não apenas a diversidade ao nosso redor, mas aprendermos a valorizarmos nosso espaço no mundo..é necessário audácia para compreendermos que o desconhecido é de fato um aliado positivo no crescimento pessoal e intelectual de cada ser humano.
Precisamos sair da caixa para visualizarmos um mundo com possibilidades e com elas nos permitirmos.

Permissão; de quem?

Em cada passo nos entregamos com uma parcela de cuidado, procuramos não nos envolver em contextos que nos deixem vulneráveis, não gostamos de coisas que nos afetem demais, afirmamos e exigimos cada vez mais...sempre mais do que podemos de verdade nos doar.
Não abrimos nossa vida, ou se assim permitimos... descobrimos mais tarde que nem sempre somos um valor correto na perfeita vida de cada pessoa que passa por nosso caminho; e acaba levando um pouco de nós.
Ficamos a deriva em nosso espaço pessoal, perdidos por um determinado tempo justamente por ficarmos sem as palavras que tanto declaramos aos quatro ventos:
Você faz parte ou não da minha vida?

É preciso esquecer que existe um tempo e não contar os dias da vida.

E nos dizem que precisamos nos acostumar com a distância, chegadas e partidas. Isso é um fato, que por mais lógico que seja, desperta um sentimento de imperfeição completa.
Mesmo assim, estamos sempre prontos para esquecer aqueles que nos levam a um abismo. E mais uma vez nos propomos a aprender e novamente diremos que nunca aprendemos tanto em toda a nossa vida. 
Verdades que carregamos sempre dentro de nós..por um pouco mais de sentido.

Existe uma citação de Clarice Lispector que me veio a mente agora: " E será inútil esforçar-se para esquecer tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes - mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

E vivemos por probabilidades uma vez que nos jogamos na vida em busca de um conhecimento, ou reconhecimento. Atitudes que se despertam através de vontades e interesses. 
Ou você esta de verdade em algo ou sempre será lembrado como aquele ou aquela...ta lembrado?..pois é, por ai vai.
Não queremos ser esquecidos, desejamos ser importantes, pois quando você se torna importante, você se transforma em algo eterno.

Conte-me e eu vou esquecer, mostre-me e eu vou lembrar, envolva-me, e eu vou entender.
Tal equilíbrio existe, procurar faz parte, encontrar é outra coisa.

terça-feira, 10 de junho de 2014

O filtro dos sonhos


Tenho em mim todos os sonhos do mundo...

Certa vez um amigo questionou o porque deu não acreditar em coincidências e minha única convicção nisso tudo esta na explicação que nada nem ninguém cruza nossa vida por acaso assim como eu creio que o destino não é uma questão de sorte, mas uma questão de escolha; não é uma coisa que se espera, mas que se busca.

Todos os dias somos apresentados a situações diversas, um cotidiano que se contradiz ou não; mas inevitavelmente os fatos mudam, independente a nossa vontade ou planejamento. Podemos criar cenários, ainda sim, os cenários diversificam e você...sempre se adapta ou pelo menos se questiona a respeito de como mudar, se transformar.

Existem muitas razões para acreditarmos que a vida é uma união de inúmeros fatores que nos projetam para infinitas possibilidades, uma junção de questões em aberto que quando confrontadas, se transformam em uma real possibilidade de realizações.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. 

Foi Nietzsche quem disse: Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.
Exatamente...Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Para que nos apegarmos as verdades que julgamos tão certas, quando na verdade é dentro de cada dúvida que nascem as respostas?
Somos uma soma de tantas escolhas e incontáveis sonhos...

Acreditamos nos sonhos e no poder que eles transmitem. É na intensidade que descobrimos o poder de sermos aquilo que desejamos, ou pelo mesmo o que projetamos para nossa vida. Nos transportamos para um mundo onde nossas decisões e desejos são importantes e imutáveis. Não existem limites, mas então por que filtramos nossos sonhos?

Filtramos para não nos perdermos, para não deixamos o controle longe de nosso alcance, para nos protegermos e sem dúvida para criarmos uma segurança sobre o real a que nos propomos quando deixamos a vida em espera.
Colocamos a vida em pausa quando é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê.

É preciso deixar as portas abertas... Sonhar faz parte do processo de crescimento interior; ele nos fortalece, nos impulsiona a conhecermos mais sobre nós mesmos e claramente nos possibilita despertar para novas descobertas e iniciarmos novas fases.
O sonho não possui amarra; ele nos liberta.
Não existem filtros; o que existe é o limite....pois há os que criticaram por sonharmos demais, mas continuo achando que é melhor sonhar o infinito e conquistar uma parte dele a sonhar nada e conquistar todo o nada.

O homem não morre quando deixa de existir, morre quando deixa de Sonhar.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Apenas faça



Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero.

Se nós possuímos apenas duas mãos e o sentimento do mundo...certamente temos um ponto de partida não apenas como um esboço, mas como um caminho que nos permite criar, acelerar e por que não retroceder?
Planejamos e não executamos; idealizamos um amanha com tantas horas e incontáveis cenas, mas esquecemos que o amanha é muito longe para um hoje cheio de questionamentos que deixamos em aberto....para aprender ou ensinar.

Não andamos em linha reta, gostamos de cruzar caminhos e neles nos questionar.
Então apenas...apenas faça. Parte de algo, a diferença, o inusitado, o diferente, o correto.
Você está aqui apenas para uma rápida visita; Não se apresse, não se preocupe.
Fazer parte constante de algo surpreendente pode mesmo levar uma grande parte do processo antes mesmo dele ter um final...esperado ou não.

Existe mesmo um propósito em nossas vidas?
Realizações pessoais ou profissionais; um deslumbramento do que pode nos tornar visíveis ou menos visíveis para uma paz interior...tudo é relativo e certamente pessoal e intransponível. Ninguém deve determinar nossos passos e mesmo assim, as pessoas insistem em cruzar a linha e ditar o que é ou não importante.
Faça aquilo, veja aquilo...apenas faça? Sério mesmo?

E no meio de tudo isso, existem aqueles que desrespeitam nossa inteligência, julgam nossa indulgência, apontam defeitos, julgam a prudência, questionam nossas escolhas...
Apenas por simples e total vontade de fazer da nossa vida um livro da qual todas as páginas se tornam abertas e sujeitas a mudanças.
Um erro atrás de outro.

Não podemos escolher como nos sentimos, mas podemos escolher o que fazer a respeito.
E se nós somos a soma de todas as escolhas que fazemos; temos a obrigação moral de sermos ao menos verdadeiros com tudo que nos cerca e fazer disso uma premissa válida.
A balança entre escolhas e consequências jamais se equalizará, na mesma proporção que sempre existirão as pessoas que julgam, aquelas que apontam , as que possuem a verdade, as impertinentes e os imbecis.
Mas acima de tudo existirão os questionadores...amém!.

Apenas faça primeiro por você; outros o compreenderão... e se não o compreender, basta continuar em frente. Para que agradar a todos se você continua sem razões para isso?
Fale sobre si mesmo, com qualidade a fim de questionar suas verdades, as verdades do meio onde vive e o autoconhecimento fruto dessa pesquisa sincera.
Faça mais do que pode, até o fim.
Questionar-me, sim, arrepender-me, jamais.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Contato


Não espere o ultimo momento para abraçar aquilo que realmente importa.


Foi Chaplin quem disse: As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se pode ver nem tocar, elas devem ser sentidas com o coração.
Quanto disso podemos absorver?
Quanto disso é verdadeiramente possível?

O ser humano é carente por contato, ver, pegar, sentir. 

Sabemos que o amor e a contato real não abraçam o que é belo, mas o que justamente com esse abraço se torna belo - ser supostamente verdadeiro.
Compreendemos então que tudo que você pensa e sofre automaticamente se dissolve dentro do contato .
Sorrir não mata, viver não dói, abraçar não arde, beijar não fere, rir não machuca.

Sou do abraço fácil e apertado, do riso frouxo, do beijo demorado, dos olhares abertos. Onde afinal é o melhor lugar do mundo? 
Meu palpite: dentro de um abraço.

Existe algo em um simples abraço que sempre aquece o coração e dá-nos boas vindas ao voltarmos para casa e torna mais fácil a partida.
Um abraço é uma forma de dividir as alegrias e tristezas que passamos, ou só uma forma para amigos dizerem que se gostam porque simplesmente, você é você.

Abraços significam amor para alguém com quem realmente nos importamos ou passamos a conhecer melhor.
Um abraço é algo espantoso, é a forma perfeita de mostrar o que sentimos, mas que palavras não podem dizer.
É engraçado como um simples abraço faz-nos sentir bem...em qualquer lugar ou língua...
É sempre compreendido; e abraços não precisam de grandes gestos...
É só abrir os braços e os corações...


Conseguimos deixar fluir a energia, o amor, sensações, agonias, incríveis desníveis se desfazem. Através do contato, estabelecemos uma forma simples e pura de troca.

Muitas vezes valorizar o próprio isolamento e abraçar a solidão é encontrar paz e fortalecer-se na alma. Pois estar rodeado de pessoas envolvidas com o barulho do mundo pode ser a pior ilusão que faz distanciar-se de si mesmo.
No silêncio abraçamos tantas ideias e ideais...
Porém através do contato encurtamos a distância entre as palavras, enriquecemos laços, desfrutamos o desconhecido sentimento da intimidade, compreendemos o acaso, afirmamos a segurança; dissolvemos a saudade e sem dúvida aprendemos mais que ensinamos.

Às vezes, quando dizemos 'estou bem' é a hora em que realizamos que mais precisamos de uma pessoa para nos abraçar e dizer 'eu sei que você não está'...e com isso tirar de nós aquele peso incondicional que carregamos ao guardarmos tudo para nós.

Através do contato deixamos de ser tão prudentes com nossas verdades pré estabelecidas e abrimos não apenas o pensamento, mas libertamos algumas convicções. O simples pode ser mesmo a melhor resposta; ja pensou nisso?
Dentro de toda verdade, esta a frase de Drummond que nos faz compreender: Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados...difícil é sentir a energia que é transmitida, aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Talvez por isso estamos vendo mais abraços por ai e certamente mais silêncio entre as pessoas.
As pessoas estão se encontrando...

Essa liberdade sem pressa em se aproximar e tentar transformar o mundo a sua volta; colorir outros sentidos, levar uma palavra de certeza, dar as mãos como um meio de respostas, gerar a felicidade através dos sentidos.
Quem foi que disse que precisamos ser distantes para sermos melhores?

O contato nos faz ser ao invés de apenas existir em meio ao caos de olhares evasivos.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Eu


O excesso, o muito, o inesgotável.
Existe um cenário em torno de nossos próprios reflexos. Admiramos o poder de cada mudança, seja ela imensa ou pequena dentro de cada expectativa.
Não sabemos nos descrever, nos colocar no mundo. Expressamos ou relutamos?

Sentir tudo de todas as maneiras, sentir tudo excessivamente; porque todas as coisas são em verdade, excessivas.
E toda a realidade é um excesso, uma violência, uma alucinação extraordinariamente nítida que vivemos todos em comum com a fúria das almas, o centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos. 



Somos um monte confuso de forças cheias de infinito tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço. 

A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une e faz com que todas as forças que raivam dentro de nós não nos ultrapassem, nem quebrem nosso ser, não partam nosso corpo, não nos arremessem como uma bomba de espírito que espalha em sangue, carne e alma espiritualizados para entre as estrelas, para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos. 

Tudo o que há dentro de nós tende a voltar a ser tudo...
Tudo o que há dentro de nós tende a despejar-nos no chão, no vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais. 

Somos se não, uma chama ascendendo, mas pendendo para baixo do que para cima, para todos os lados ao mesmo tempo, somos um globo de chamas explosivas buscando Deus e queimando a crosta dos nossos sentidos, o muro da lógica, da inteligência limitadora e gelada. 
Somos uma grande máquina movida por grandes correias; de que só vemos a parte que pega nos nossos tambores,o resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis e nunca parece chegar ao tambor de onde parte. 

Nosso corpo é um centro de um volante estupendo e infinito em marcha sempre vertiginosamente em torno de si, cruzando-se em todas as direções com outros volantes, 
que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço... mas não sabemos se não de uma outra maneira. 

Dentro de nós estão presos e atados ao chão todos os movimentos que compõem o universo, a fúria minuciosa e dos átomos, a fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos, a espuma furiosa de todos os rios que se precipitam, a
 chuva com pedras atiradas de catapultas de enormes exércitos de anões escondidos no céu. 

Somos um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio de estar dentro do corpo, de não transbordar a alma. 

Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, freme, treme, espuma, venta, viola, explode, perde-se, transcende-se, circunda-se, vive-se, rompe e foge...enfrenta. 
Se com o meu corpo todo o universo e a vida, arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes, risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos...

Sobrevivamos em todas as direções.
Ainda que complicado...afinal quem disse que seria fácil?, apenas nos disseram que valeria a pena tentar.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Uma definição


Todo ser humano tem sentimentos, mas apenas cada individuo pode sentir os seus e saber quanto lhe pesa...

Buscamos compreender inúmeras situações e acasos da vida, constantemente nos impomos perante exemplos e certamente nos encontramos mais e mais perdidos sobre uma única questão: Quem sou eu?

Ser você é uma extensão de inúmeras descobertas e possivelmente a junção de infindáveis possibilidades; sejam elas positivas ou negativas, você é único em uma grande maioria e ser parte significa estar. 

As definições de amor, amizade, cumplicidade, carinho e paixão não se aplicam a nós pois  somos muito mais que isso, estamos muito além das meras definições mortais... Praticamente nada entre nós pode ser explicado por simples palavras...
Sentimos o que o outro sente, pensamos o que o outro pensa.
Se um está triste, o outro sabe; se um está alegre o outro está também, nos ajudamos, nos curamos, nos sentimos a todo instante, compartilhamos tudo não importa o quão longe estejamos um do outro, estamos juntos sempre e para sempre...

Eu acredito que pessoas são feitas por situações que as levam ao auto conhecimento.
Definições são para tolos que costumam cair em contradição a todo momento.
Ainda sim, somos movidos pelo agora, pelo imediatismo de qualquer perspectiva.
Queremos ter uma porção de respostas sobre o nada que nos cerca e o muito que ele representa.

Quanto mais nos refugiamos em nós mesmos, mais questões levantamos. A introspecção causa esse grito interior e com ele nos movemos; porém é preciso acreditar que somos uma força propulsora capaz de ecoar em diferentes direções. Podemos ser quem desejamos ser, basta que para isso não vivamos refletindo gostos, gestos e atitudes alheias. 
Dentro de cada indivíduo existe a sutileza das asas de um pássaro e a fúria ofensiva de um leão. O equilíbrio entre estes dois pólos é sempre essencial.

Jamais conseguiremos entender a unanimidade de cada indivíduo. Toda reação, todo pensamento, toda conclusão é dita como certa ou errada a partir do referencial e a ótica em que se encontram.
Apesar das pessoas agirem de acordo com seus princípios e da maneira como acham corretas, dependerá do número de fatores para poder fazer sentido e para algumas pessoas isso nunca existirá.


Algo sobre isso é incrivelmente revelador: Não acredite em algo simplesmente porque ouviu ou porque simplesmente todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Só porque seus professores e mestres dizem algo, não significa que seja a mais pura e única verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê algo que concorda com a razão e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o.

Nossa grandeza consiste em compreender que somos uma ponte e não um fim.

terça-feira, 1 de abril de 2014

O acerto.


Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
Clarice Lispector

É isso:

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque seguirei meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade, não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.

Queremos sempre acertar, independente de nossas previsões e achismos.
Tendências, padrões, estatísticas e previsões não significam nada sem um comprometimento...por mais simples que ele possa ser; quando queremos nós fazemos valer a pena.
É preciso compreender que tudo é relativo e depende de você. As coisas mudam com a sua imaginação e acertar varia com a forma de errar.

Apertamos as mãos como forma de acerto, uma singela e clara compreensão de que na vida só podemos ser felizes onde o acordo impera. Uma vez eu li que se você não correr riscos com medo de errar, talvez nunca conheça a alegria que é acertar.
Isso me parece mesmo muito real.

Temos muitas chances para errar, mas apenas uma para acertar... e essa é a que realmente buscamos, a que realmente precisamos e a que mais demora pra acontecer.
Por que?...bem aí é que mora a questão. Se fossemos tão acertivos, certamente não teríamos tantas questões com as quais precisamos trabalhar e nos dedicar como uma forma de evolução diária.

Precisamos da nossa cota diária de pensamentos acertivos?
Sim, definitivamente.
É com eles que nos posicionamos e direcionamos nossas ações com conteúdo.
Definitivamente para ser feliz não precisamos do mundo, precisamos posicionar nossos passos e acertá-los pelos caminhos.

Não somos parte de um todo perfeito, nem fomos feitos pra acertar sempre e quase nunca acertamos mesmo. A gente erra, acerta e continua, porque a vida sempre continua.
Desejamos a perfeição porque somos urgentes com nossos ideais. Nos apressamos e esquecemos que parte do processo em acertar se deve ao simples fato de evoluir nossas ideias durante a construção.

Na ânsia de acertar muitas vezes nos perdemos no tempo, metemos os pés pelas mãos, falamos e fazemos o que não queríamos, desferimos a golpes de palavras quem mais amamos e por medo fugimos da responsabilidade de nos discernir.

São nestas fugas repentinas que não percebemos as perdas, os amigos que se vão, os sentimentos que se congelam, a humildade que se escoa, os valores que somem em meio a tantos atritos, conflitos, disse me disse, ofensas, atropelos, corridas desnecessárias, permitindo com o que o tempo nos furte a doce sabedoria do sentir, conquistar, sorrir, viver, interagir, fazer amigos .

É na ânsia de acertar que muitas vezes deixamos de sermos singulares. Mas nunca é
tarde para soprarmos estrelas, espalhar brilhos, invadir corações e plantarmos o que temos de mais precioso: o "amor"; nos entregando as maravilhas da vida, nos permitindo ser quem realmente somos e nunca esquecermos que recomeçar faz parte do nosso próprio crescimento..
Crescer dói, mas transforma.

Ainda ontem pensava que não era
Por Kahlil Gibran

Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trémulo 
sem ritmo na esfera da vida.
Hoje sei que sou eu a esfera, e a vida inteira em fragmentos rítmicos 
move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia
sobre a margem infinita de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam 
de grãos de areia sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

segunda-feira, 24 de março de 2014

Seguimos persistindo


Viver é a arte de persistir com delicadeza.

Para mim é muito melhor compreender o universo como ele realmente é do que persistir no engano, por mais satisfatório e tranquilizador que possa parecer. 
Seguir..persistir...verbos diretos. Para você, para mim; somos nós quem definimos o sujeito em primeiro ou em último lugar.
Sou mesmo uma equilibrista na arte de persistir.

Há situações que até um determinado tempo você consegue insistir. Procura, corre atrás, afinal quem quer sempre da um jeito e quem não quer sempre vai arrumar uma desculpa. 
Entretanto, chega o exato momento em que você se cansa, cansa de pedir, cansa de indiretas, cansa de escrever nas entrelinhas, ai você para e simplesmente desiste.
Freia o ímpeto e começa a compreender o que é e o que não é.

Mas é aí que mora a diferença: Sonhos são realizados devido a minha persistência ao tentar o que nunca, ninguém conseguiu.
Dois caminhos, duas escolhas. 

O que fazer quando tudo que você quer é persistir mesmo sabendo que corre grande risco de se magoar seriamente? Vale a pena sofrer?  
Acredito no poder do sim e nas inúmeras perguntas para poucas respostas. 

Nós seres humanos somos incapazes de esquecer, mas somos bons em "seguir em frente". E seguir em frente não significa feridas curadas, não mesmo. Significa apenas: Fui forte o suficiente para prosseguir ou até eu sobrevivi.
Como podemos esquecer uma dor de uma perda ou muito menos de um esquecimento e depois seguir em frente ? Para mim nada disso é estranho, ou comum. 
Pela primeira vez você experimenta uma dor que não sabe que seria realmente a causa, mas te machuca só pelo esquecimento que te fez pensar em uma leve negligência. 
Devemos parar de dar importância para a persistência em certos momentos para não perdermos tempo e para que passemos a enxergar o horizonte de possibilidades novas. Apenas gostamos de enxergar aquilo que é mais fácil de ser entendido, o que estamos acostumados a acreditar e o que todos acham certo - ou não. 

Erramos porque buscamos sonhos iguais ou semelhantes a outros que já existem, sonhos maiores que nossa possibilidade de sonhar. Persistir em um jogo que só se perde, não quer dizer que deverá parar de jogar. Mude as estratégias, pare de julgar o que tanto erra e assuma que deve refletir um pouco mais sobre persistência.

Deveríamos seriamente aprender a desistir de certas coisas.

Para seguir a nossa frente temos que esquecer tudo e organizar o passado. Pode ser uma dor esquecer e também uma culpa, só basta se conectar. E nunca espere nada dos outros, caso contrário irá se decepcionar, cada vez mais ao ponto de tal ato torna-se uma constante!

Ainda sim que quão longe estejam os nossos sonhos,não devemos nunca desistir, mas persistir...Para dar continuidade a esperança de sermos felizes.

terça-feira, 4 de março de 2014

Pés descalços


É fácil apagar as pegadas; difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Não meta os pés pelas mãos...
Filosofia a parte, compreendamos que a vida é um círculo complexo que nos rodeia e as vezes, andamos tanto em brasas que optamos em caminhar descalços para enfrentar de uma vez as fortes pressões bem debaixo de nossos pés...e com isso aliviar a pressão que se acumula.

Avaliamos com tanto cuidado todas os fatos que nos são apresentados e mesmo assim apreciamos cultivar o lado crítico elevado e com todas as hipóteses contrárias gostamos dessa sensação abrasiva sobre a pele.

Seres pensantes e impetuosamente expontâneos é o que somos.

Não deixamos de acreditar em possibilidades e somamos um paralelo alto quando partimos para as ações, deixando enfim nossos passos livres para tornar cada etapa do caminho um pouco mais suave e certamente mais aberto.
Empregamos força onde a suavidade deve prevalecer, passamos por cima de tantos conflitos internos e talvez por isso quando fluímos soltos, sentimos um apreço certo de que tudo acontece na hora e lugar certo.
Compreendemos a importância de caminhar lado a lado com nossos instintos e para eles nos rendermos.

Eu acredito que é preciso escolher um caminho que não tenha fim, mas, ainda assim, caminhar sempre na expectativa de encontrá-lo, ao mesmo tempo caminhar sem rumo é uma grande arte...uma divina e completa capacidade em aprender a sermos menos.
A questão é, caminhar sem ter aonde ir, é como estar longe de si mesmo. É como não ser e nem saber mais nada sobre tudo o que você é e acredita.
Mas algo é extremamente verdadeiro: O homem que olha para o horizonte, nunca para de caminhar. 

Ao caminhar, não é apenas você que está se movendo, mas todas as gerações passadas e futuras. No mundo chamado de “real” o tempo é uma medida, mas no verdadeiro mundo não existe nada além do momento presente. 
Tenha plena consciência que tudo que já aconteceu e tudo o que acontecerá está em cada passo seu.
Mais do que isso, aprendemos que podemos caminhar sozinhos e que isso não nos torna solitários.

Então por que essa necessidade em estarmos firmes em tantos propósitos e escolhas?

Quando crianças adorávamos correr na chuva, molhávamos não apenas o corpo, mas desnudávamos o espírito para a pura e incontestável inocência.
Saboreávamos a liberdade de expressão.
Escutávamos apenas o som de nossas risadas, o bater dos pés sobre a água.....e com isso  permitíamos ao nosso interior viver sem fronteiras.

Não estou dizendo que devemos abandonar nossas convicções e vivermos presos aos conceitos; eu absolutamente não acredito nisso, apenas gostaria de poder ver as pessoas se dando uma maior oportunidade de enxergar a vida sobre um ângulo diferente. 
Tirar de baixo dos pés um mundo particular e sentir o poder das águas é uma transformação muito grande; você se permite e aí que tudo começa a fazer sentido.

Algumas pessoas sentem a chuva, enquanto outras infelizmente apenas ficam molhadas e quem deseja ver o arco-íris, precisa aprender a gostar da chuva, não é?...certos sentidos...
O barulho da chuva viola o silêncio do pensamento, da lembrança, da doce ignorância em planejar o futuro e por isso mantemos nossos pés aquecidos para darmos a nós mesmos um tempo de absorver tudo e qualquer impacto externo, silenciando assim nossos maiores barulhos internos.

Viver é não esperar a tempestade passar, é aprender como dançar na chuva.
Deixemos nossos pés descalços e contemplemos o curso das águas por debaixo de nós, ela não apenas abre caminhos, como também nos faz desviar e nos mover para outros e novos horizontes.

Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.
Quem o sente não o pode expressar em palavras.
E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.
Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas. 
Gibran Khalil

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A vida como ela é



Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
Oscar Wilde

A vida é demasiado curta para nos permitir interessar-nos por todas as coisas, mas é bom que nos interessemos por tantas quantas forem necessárias para preencher os nossos dias e com eles aprendermos mais sobre nós mesmos.

Se você se permitir a aprender; a vida tem muito que lhe ensinar. Ela é fácil e precisa apenas de uma lição para torná-la evidente nos seus pensamentos: Vive-la. Ela não vai te julgar pelas suas manias tolas e muito menos por suas grandes vitórias. 
Ela não vai fazer nada!

E com esse tempo... se você se permitir, vai perceber que a vida não tem culpa de seus tropeços e nem te aplaude pelas suas vitórias e nem o acolhe diante das suas desilusões em confiar no outro, ela vai sempre questionar-se da seguinte forma: É problema seu! 


Somos covardes diariamente em colocar a culpa na vida ou no fulano; raramente reconhecemos que a culpa e o erro foi nosso, ou melhor, nunca reconhecemos que nós fraquejamos e que somos humanos. 
Com a vontade de acertar nos esquecemos de viver o natural e com a ansiedade criamos expectativas em cima da vida que nem sempre vai ser aquilo que esperamos que fosse, criamos expectativas nos outros para termos um motivo a que reclamar no final de uma conversa. 

A vida é bela, ela é meio desastrada, ela é meio perdida, ela é meio triste, ela é meio que demasiado tudo. Mais ela é inteira você... é você o grande maestro disso tudo, é você que coloca o significado que quiser naquilo que compreendeu. É você, somente você, aprenda com a vida que o tempo não cura saudade, o amor não é para vida toda e nem para eternidade, isso é nota barata. 
O amor é um símbolo tão belo quanto a nossa existência e não tem validade. O tempo é o senhor da razão mais a única pessoa que poderá compreender é você. 

Aprenda com a vida que o tempo é o instante que vive e que o amanhã realmente não existe. Aprenda com a vida que a pessoa que você acha que pode estar gostando de você só está sendo ela por algum tempo e que você é o único ser capaz de fazer dar certo ou não. 
Aprenda com a vida que não existe o melhor emprego, mais que existe o tempo certo para tudo. Aprenda com a vida que desilusões sempre existem mais que o amanhã é o tempo do hoje e as conseqüências sempre virão. Aprenda que o tempo certo para viver foi o ontem e que a promessa que você fez com o tempo sumiu com o próprio tempo pela incapacidade de compreender que nem tudo é perfeito. Aprenda que com o tempo sua memória vai ficar escassa e que é melhor fazer de tudo que tem vontade antes que esqueça. Aprenda que namorar alguém por seis ou quatro anos não significa que essa pessoa vai passar toda eternidade com você.

Aprenda sobre ficar com alguém e principalmente: Aprenda a não criar expectativas nos outros, pois o tempo mostra tudo ao contrário do que pensamos. Ficar sozinha é o melhor remédio para o tédio e que tédio nem sempre é curada com a companhia de alguém, basta a sua. Viver custa barato, mas com o tempo você se compromete a dar o valor exato de cada momento. Compreenda que seus pais podem não estar mais presente no amanhã e que dizer “eu te amo” hoje pode salvar todas as magoas e tristeza com todos. 

Inimigos nunca irão existir, o que sempre vai existir é a incapacidade do seres humanos perdoarem uns aos outros. 

Aprenda com a vida que não importa quanto tempo você demore em compreender  algumas pessoas simplesmente não notam que você existe ou não fazem questão da sua presença. Assimile o significado de doar sem receber, pois doar é o ato mais lindo que você pode se permitir. Coragem não significa enfrentar o medo, mas sim ter força suficiente de viver. 


Erros sempre existirão, mais assumi-los pode ser o caminho mais curto para o acerto. Família significa união e partilha, ou seja, você tem que se doar também. Ajudar quem precisa é honroso e o valor recebido é a sorriso do próximo. 
Aprenda com a vida que Deus existe e que lembrá-lo apenas nos momentos difíceis não significa ser infiel, mas sim, uma certeza que você tem que ele é o caminho a verdade e a vida. Aprenda a viver e ser você, assim conquistará muito.

Aceite que a violência sempre vai existir e que o mundo poderá um dia ficar fora de controle, porém a solução está dentro de você na divulgação da palavra amor e fé. Entenda que a morte é dolorosa para os que ficam e é felicidade para os que partem. Aprenda com a vida que o término de uma união pode ser a solução de novas felicidades para com o próximo que tanto ama. 

Aprenda com a vida que o que você acha é apenas o seu achar e nada mais. Sempre existirão dois lados da moeda e você é responsável por reconhecê-los antes de julgar seu valor. 
Aprenda com a vida que é o tempo e não você que vai dar sentido as coisas e que viver é o ato mais difícil e que realm
ente algumas pessoas apenas existem. 
Mas acima de tudo?

Aprenda com a vida que aprender se leva tempo.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Procuramos pelo que?


A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens e sim em ter novos olhos.

Chega um ponto em que compreendemos algumas coisas, uma delas é que a necessidade de procurar a verdadeira felicidade é o fundamento da nossa liberdade.
Funcionamos tão bem, somos um mecanismo ativo, então por que é tão complicado assumirmos que procuramos sempre por algo ou alguém que nos complete ou nos faça ao menos acertar os passos...um na frente do outro?
Um paradoxo... é isso.

Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno.

Convenhamos: as pessoas tendem a procurar por informações que confirmem suas verdades e a rejeitar informações que as contradigam; nós nos perdemos nos detalhes.
Nos aconchegamos através do suspense, somos transgressores, movimentamos nosso sistema calmo, desafiamos valores...e mesmo assim não encontramos tal substanciosa resposta.
Com o que nos deparamos?
Gostamos mesmo é de alimentar um sistema incansável de "porquês". 
É com eles que arrastamos as correntes interiores.

Procuramos por todo aquele silêncio que nos acalma e aclama por novos ventos.
E por isso quando mais precisamos de sentido, nos sentamos e desejamos o estalo de respostas; nos permitimos parar para compreender que nem sempre procurar implica em esperar.
É desnecessário tentar provar algo a alguém, quando na verdade as pessoas tomam como verdade aquilo que as convém. Não podemos nos culpar quando mesmo procurando por razões encontramos mais e mais dúvidas.
Cada um julga o que quer para sua própria vida.
Procuramos nos outros o que negamos sobre nós mesmos?....será?

Não faça nada que não seja por uma razão real; uma das maiores descobertas pelo caminho é torna-lo seu e muitas vezes procurar algum sentido se torna um jogo subjetivo.

Porque nos impressionamos e ficamos tão obcecados com coisas e feitos de grandes dimensões, quando na verdade são coisas pequeninas que, combinadas, tornam as grandes coisas possíveis?
Talvez...um possível talvez seja nada mais que receber um abraço inesperado em um momento inesperado; e por ele nos deixamos levar.
Você se sente vivo e compreende que quando deixamos de tentar encontrar sentido em tudo; as portas se abrem.

E uma coisa nisso tudo é certa: A felicidade não entra em portas trancadas.

Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura.

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade