quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um singelo sorriso...

"Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios."
Martin Luther King

Sorriso, diz-me o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos...O sorriso, ao meu olhar, é muito mais do que tais pobres definições, não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troca, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo, o irônico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, onde o ser e o estar ocupam o mesmo espaço/tempo.


Há os que dizem mesmo que a vida é muito importante para ser levada a sério…e portanto sorrir é mesmo uma questão de escolha…de cada um.
Existem ainda as inúmeras mensagens que transmitimos ao sorrirmos; uma imprudência ao carisma, um ato de total vergonha ou apenas a necessidade de passarmos adiante onde nossas palavras não alcançam.

Sorrimos quando não sabemos o que falar?
Por que não?…interpretações e contextos nunca se encaixam na mesma frase, então…
Nos encontramos com uma variedade enorme de sorrisos todos os dias e espontaneamente nos abrimos ao alheio, inerente a nossa vontade; uma espécie de agradecimento da alma.
Quando sorrimos, levamos a alguém certa certeza clara e sutil de que o bem esta sempre por perto.
Deixamos claro a ideia de que sorrindo elevamos nossas vontades para outros e com isso abraçamos o que nos faz sorrir.

Ainda existe tudo aquilo que nos faz sorrir a toa por ai…uma essência, não é mesmo?
Quantas vezes já me disseram: Não chore, você fica bem melhor sorrindo...

Talvez…eu ainda creio.. que o sorriso seja a manifestação clara, pura e simples dos lábios; quando cegamente os olhos encontram o que o coração tanto procura.
Ainda que seja um calmante natural para a alma, sorrimos para a vida quando a vida se abre para nós.
E que idioma universal….sem som, sem dúvidas; uma entrega natural.
Definitivamente sem cobranças ou apenas e unicamente sem dívida alheia; ou você o entrega por livre vontade; ou cegamente se tornará um hipócrita de seus próprios valores.

O sorriso possui uma força com infinitas dimensões, ele nos abre portas, o apresenta aos amigos, mostra a força interior, reconstrói nosso interior em questão de segundos, nos liberta da amargura, cura os sentimentos de perda, ele não limita o sofrimento; mas certamente alivia a sua dor.
Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz, isso é bem certo.
Cremos no fundo que tal largo, alegre e lúdico ato da vida seja o responsável pela existência da esperança.

E quando você pensa que conhece todas as faces da vida, descobre-se que as maiores verdades são ditas sorrindo.
Porque não há sentindo, se não houver mudanças... Uma vez inverno, outrora primavera. Uma vez sozinho, outrora na multidão. Uma vez chorando, outrora sorrindo. Uma vez observando, outrora sentindo. Uma vez lamentando, outrora se alegrando. Uma vez silêncio, outrora cantando. Tudo está em constante mudança, até mesmo seu coração.
E com ele…descobrimos que o poder de um sorriso esta em ser verdadeiramente inteiro e não apenas um fragmento.

Afinal: Quando percebo minha vida, amanheço o dia sorrindo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O que eu tanto amo...


O Amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Khalil Gibran

O que é o amor se não um alerta do coração...

Com o tempo percebemos que para ser feliz com uma outra pessoa você precisa em primeiro lugar não precisar dela. O amor é algo tão pessoal que mesmo sozinho, conseguimos desenvolver este pulsar por algo, até que certo alguém apareça e mude todo o sentido literal da palavra.
Percebemos que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida, com isso aprendemos a gostar e cuidar de nós mesmos e, principalmente, a gostar de quem gosta de gente.

Quando encontramos o amor, descobrimos o que nos faltava na vida.

Entregamos nossa alma e coração sem exigir nada...absolutamente nada. É o momento da vida em que acordamos de frente pra ela e apenas contemplamos o nosso amanhecer pessoal.
Despertamos para curiosos comportamentos, assimilamos gestos, somamos olhares, desfrutamos das risadas, abraçamos com emoção, discursamos sem fundamento e sem dúvida permanecemos quietos e deixamos o silêncio ocupar seu espaço tornando qualquer palavra algo subjetivo de ser...faz-se perceber que onde impera o sentimento a razão perde seu sentido.

E existem tantas formas de viver esse sentimento que ainda nos é desconhecido seu poder de alcance, apenas nos deixamos levar e colhemos os frutos desse sentimento lúdico e infinito.
Somamos...somos.
Nós o acolhemos; perdemos a noção dos possíveis fatos e apenas nos deixamos levar de forma intensa, real e descompassada.
Mas o fato é que o amor só é real quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Equilibramos a alma para que nossos pés se percam no caminho.
E mesmo nesse meio fio em que nos colocamos, os sentidos ocupam boas proporções, infinitamente particular de ser/sentir/existir.

Ainda sim, com toda teoria sobre o amor, nos permitimos ser conduzidos; perdemos a voz...O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, uma vez que a função do amor é levar o ser humano à perfeição, será feliz aquele que se permitir a entrega, conhecer a admiração e descobrir o vislumbre deste sentimento universal, bilateral e frequente.
E com todos os prelúdios, poucos escutam o som do coração.

Queremos apenas nos perder com aquilo que possuímos controle, quando na verdade se perder é uma das chaves para o equilíbrio.
Uma doce fragilidade humana em acreditar que para amar é necessário compreender
Amar... sentimento dos nobres, dos confusos, dos insensatos, dos expontâneos.

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e 

por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda