quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Respostas



Um pouco de paz é tudo que buscamos nessa vida...
Talvez apenas poucos minutos de calma para compreender os pensamentos e coloca-los de forma equilibrada e contínua.
Pensar, interagir, responder...3 formas e contextos divergentes em uma mesma situação.
São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.

Esperamos demais das pessoas; esquecemos que nem sempre teremos espelhos diante de nós capazes de suprir essa total e incoerente carência que em viver no imediato das situações. Essa fronteira que procuramos ultrapassar em nome da boa e sábia sanidade mental.
Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas...

Não gostamos de ficar no silêncio e contemplar a angústia, mas sem dúvida depois de  algum tempo com nossos próprios devaneios, compreendemos que as únicas respostas interessantes são aquelas que destróem a questão.
E mesmo com toda a certeza que empregamos no outro, as únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as perguntas.

Então porque nos colocamos a prova em todas as situações da vida?
Onde depositamos nossa confiança?

Sabiamente Veríssimo descreveu: Quando a gente acha que tem todas as respostas,vem a vida e muda todas as perguntas. E é nessa montanha russa sem definição que nos jogamos: enxergamos palavras onde impera o silêncio alheio; e com isso nos escondemos dentro de nós; queremos escutar o que tanto pode nos modificar.

Creio que existam situações onde definitivamente necessitamos de uma resposta certa, aquela que pode mudar nossa direção e nos fazer traçar caminhos, remanejar perspectivas e sem dúvida nos possibilitar descobertas; porém...sim existem os poréns...
É preciso não procurar respostas para algo onde não cabem perguntas.

Ou você fala; ou meu caro, precisa engolir as palavras e no tempo se perder.
Responda "não sei" e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição e com isso esteja seguro e armado; armado de argumentos..válidos e reais.

E com todo o mundo dentro de nós, as vezes devemos esvaziar a mente para encontrarmos as respostas certas ou então parar e repensar para onde estamos nos direcionando. 
Desnecessárias são perguntas e respostas quando a realidade não precisa de palavras para dizer o que é. Muitas vezes o que de verdade nos falta é a coragem da aceitação. A coragem para admitir que tudo o que foi trocado cumpriu o seu destino da melhor maneira que conseguiu, no tempo que conseguiu.

Precisamos parar de nos prender a expectativas ao que as pessoas podem falar para nós. Palavras são carimbos e atitudes são tatuagens..lembre-se bem disso na hora de cobrar por algo que compete somente a você.
Palavras tornam-se subjetivas aos olhares; eles nos dizem muito com tão pouco.
Mesmo querendo ouvir o que tanto você quer, não julgue a falta alheia, aceite que poucos possuem a força que você tanto transmite.

As nossas certezas de hoje serão contradições do amanhã, e como num piscar de olhos deixemos então a vida seguir sua constante mania de nos surpreender.
Uma coisa é certa, suas dores de cabeça serão menores e seus prazeres serão mais surpreendentes e chegará um tempo em que você não esperará mais respostas, apenas continuará procurando por novas perguntas.

A vida é assim, intensas perguntas e fugazes respostas.

sábado, 5 de outubro de 2013

Por dentro dos pensamentos



Possuímos pensamentos que, se pudéssemos revelar e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens. Mora aí a dificuldade em exemplificar a racionalidade onde impera a emoção.
Talvez por isso, Buda verbalizou: Somos o que pensamos, tudo o que somos surge com nossos pensamentos e com nossos pensamentos fazemos o nosso mundo.

Crescemos e vivemos dentro de nós...tempo demais.
E esse pedaço de nós que não compartilhamos nos torna gigantes; como uma imagem que não permitimos transparecer...por medo, dificuldade em aceitar ou até compreender a extensão do que possuímos neste lugar infinito onde habitam nossos pensamentos.

Muitas vezes nos deixamos levar por uma série de pensamentos ruins, mas é porque não conhecemos a força da perfeição, não descobrimos ainda a lei do melhor...o longe parece um lugar tão incomum não é?
Não analisamos nossas fraquezas; queremos olhar bem fundo nos olhos e ver como somos bonitos, como fizemos e fazemos as coisas maravilhosas e como estamos cheios de vontade. 
É assumindo a responsabilidade sobre essas vontades e projetando com força nessa identidade de saber que possuímos o poder de fazer o melhor. Despertar o espírito é viver nele; é ter a satisfação de ser você mesmo.
E como é pretensioso os laços que nos mantém firmes nessa teia de dúvidas.

Liberdade de pensamento e assumir a grandeza desse salto no escuro...

No fundo queremos uma compreensão pelo não dito, uma absolvição pelos erros não cometidos e uma total cumplicidade pelas dúvidas infundadas, uma credulidade pelas nossas escolhas e um incentivo aos devaneios.
Essa incrível capacidade de pensar além sem sair do lugar.
Por dentro somos uma multidão...vozes e vozes nos ditando palavras e ainda sim...ainda sim pensamos rápido demais em comparação a uma lentidão irritante que verbalizamos.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo, nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. 
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. 


Gostamos de cultivar uma certa insatisfação sobre o não dito, pois no fundo as palavras desaparecem quando as guardamos tempo demais. Seu sentido, sua vitalidade...sua força.
Esse paralelo ainda sem parâmetros que construímos e que sabiamente Nietzsche descreve como o poder de agir.

Nada lhe pode ser respondido que já não exista em você mesmo. Não podemos abrir outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe pode se dado a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Creio mesmo que podemos nos ajudar a tornar visível o próprio mundo e isso é tudo.


Por dentro possuímos um mundo particular onde visualizamos o poder de nossos pensamentos, nos permitimos, não nos sabotamos, não dizemos não. Nos deparamos com um acaso que aclamamos, gritamos ou até mesmo permanecemos no vale do silêncio.
O que é nosso apenas nos pertence, fazendo com que no final de cada frase, nos sintamos um maestro...ditando e ditando regras que raramente colocamos para fora.
E por isso mesmo quando uma criatura humana desperta e sobre a vida lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.
(Confúncio)