quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Memória



Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam pra trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos.
Jeremy irons

Atravessamos pontes, cruzamos caminhos, percorremos distâncias incontáveis...nós criarmos nossas próprias memórias e ainda sim recuamos para o tempo; uma saudade inquietante que resgatamos a qualquer hora e lugar.

Chegando sem avisar, nos fazendo regressar e frear em qualquer parte do tempo.

Relembrar é viver?

Como diz Saramago...Fisicamente habitamos um espaço, mas sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
Não existem parâmetros para revivermos nossas memórias...as vezes é necessário retroceder nossa visão do mundo pra resgatar as forças necessárias e continuar a jornada.

Recordei agora de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade do mundo e dificuldade em ser permanente...
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”... e se não tiver mês que vem?.

Eis aqui a curva de uma lembrança permanente, aquela que nem sequer nos apresentamos ou nos preparamos para o momento.

Se temos um tempo na vida, certamente é para colocar a vida em um ritmo constante.

Ainda sim, possuímos uma conta boa ao relembrarmos aquilo que nos faz bem e aquilo que principalmente nos faz mal; gostamos de saber onde erramos e o porque de ainda termos tais memórias tão vivas e gritantes por perto.
Vai compreender...muitas pessoas resgatam seus erros enquanto outras simplesmente seguem em frente com uma incontável parcela de esquecimento.
Cada qual com sua cota de lembranças e com isso nossa convicção a respeito de nós ou do que pensamos é mais do que relativa. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos e com eles fazemos o nosso mundo.

Externamos ao mundo o que nos faz perder de vista.

Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica...rsrsrs...ok, as vezes.
Não presumo resgatar nada, afinal,tempo não se recupera e tampouco sentimentos sentidos. Vivemos o que podemos viver e no ato de cada intensidade.

Vivo a minha entrega e o que me resta é viver o agora e por tal não ouso tentar não ser.

Guardo pra mim somente aquilo que me constroi e todo dia é uma ocasião especial. Lembrarei, sorrirei, chorarei e pensarei sempre mais. Talvez com isso minha memória seja tão presente; ela me desperta a cada amanhecer com a sensação de prazer e cultivo diário.
Uma vez li um poema, não me recordo bem ao certo de quem era...mas existe um trecho que se encaixa bem agora..."Cada nota deixa em cada um de nós uma lembrança, mas é a melodia inteira que conta uma história". 

E quem foi que disse que temos que esquecer algo para ser feliz?. 

A memória é um sistema central que nos conduz, nos envia e nos projeta para a vida. Não devemos esquecer nada, nem ninguém e sim continuarmos compreendendo a extensão de tudo que nos cerca. Damos o significado aquilo que realmente importa e o que importa é algo permanente, independente de tempo e espaço.

...Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar...
Gibran Khalil

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