quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sentimento do mundo



Pare o mundo que eu quero descer...


Com o passar do tempo gostamos de resgatar acontecimentos ímpares que nos fizeram perder o fôlego, situações em que a risada reverberava através do peito, deslizes que nos fizeram aprender, palavras que dissemos, mas acima de tudo...procuramos lembrar do que fomos um dia e o que faz a vida fluir através das veias.

Uma criança, um adolescente, um adulto...intenso e completo em todas as fases.
Entra aí os sentimentos deste mundo interno que possuímos. Não deixamos de somar as emoções que chegam e invadem nosso silêncio, é preciso mesmo aceitar cada porção de insanidade que nos acolhe; despertamos para a vida e suas infinitas dúvidas.

Saborear a doce melodia das vozes interiores...bom começo ou recomeço para muitos. O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos, mas a maneira como você encara a vida é que faz toda a diferença.

Permitimos que as raízes cresçam e tomem conta de um pedaço só nosso e eis que falemos com muita certeza: Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno, mas acima de tudo se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.

Pesos e medidas em um só fato: somos o mundo inteiro dentro de nós mesmos.

E como ocupamos espaço...real e do tamanho dos nossos sonhos.
O sentido da vida é estar vivo...é claro, óbvio e simples. Mesmo assim, todo mundo não para de correr, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio.

Vivo em uma época onde as gentilezas são feitas através de insanas palavras, gestos duvidosos e olhares sem verdade. Será que a nossa geração está apenas interessada em mudar o mundo e não realiza que a verdadeira transformação ocorre de dentro pra fora?
Vivemos uma fragilidade absurda e mesmo assim aprendemos quando é tarde demais.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Nos sentimos esgotados por tentar fazer parte de um pequeno pedaço de um mundo diferente; menos acelerado e completamente desapegado. As pessoas estão voltadas para o próprio bem e não para o senso comum que as rodeia. 

Somos poucos, mas procuramos semear a diferença; atos, sorrisos, abraços..verdades sólidas e permanentes.
Eu ainda acredito nesta roda viva que habitamos e eis que sabemos o porque de tanta água: ela dissolve nossas lágrimas, leva embora o que não alimenta nossa alma e se renova a cada fonte que surge em diferentes vales.

Cabe a cada um sair em busca daquilo que mata não somente a sede, mas uma ampla e clara visão através do mundo.


Ainda sim...Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.
Carlos drummond de Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu registro...