terça-feira, 30 de julho de 2013

Quem é você?


Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.
Confúcio

Quando éramos crianças, prestávamos atenção nas conversas dos mais velhos, histórias e experiências sobre sobre a vida que acontecia ao nosso redor e o quanto essa influência pesava sobre as decisões que juntos participávamos sendo uma família.
Percebíamos que mesmo com uma inocência presente, éramos capazes de enxergar algumas boas coincidências entre nós...através de nós e por nós.

Certo e o errado; e como era fácil ficarmos sentados enquanto ocupávamos nosso lugar no espaço.

E hoje buscamos uma exata compreensão sobre nossa jornada nesse espaço. Estamos saindo para o mundo em busca de respostas; nos organizamos em movimentos pela unificação de paz e ideais em comum, começamos a sair para o desconhecido de forma aberta e real.

Queremos enfrentar as divergências, mas ainda não aprendemos a enxergar as diferenças. Buscamos respostas, mas não compreendemos que de nada adianta o questionamento, se o que está errado é a nossa postura diante das perguntas que fazemos.
Tenho visto as pessoas tornarem-se freqüentemente neuróticas quando se contentam com respostas erradas ou inadequadas para as questões da vida; elas se atentam ao imediato e esquecem que lá na frente a colisão será muito maior.
Vive-se demais para o presente dando pouca importância ao senso comum do futuro.
É aquela velha frase de Veríssimo: "Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".

Ainda nos assustamos com a diferença..entre as pessoas, de opiniões, de vontades e principalmente de princípios.

Há dois tipos de perguntas. Uma que precisa ser respondida e outra que precisa ser vivida, há perguntas práticas e perguntas existenciais.
Perguntas práticas se contextualizam no horizonte da objetividade, perguntas existenciais não provocam respostas imediatas. 

Viver é uma forma de respondê-las. É maravilhoso conviver com elas... 

O que torna uma pessoa especial é sua capacidade de viver intensamente por uma causa. São raras nos dias de hoje... vive-se muito pela metade ultimamente. 
Pessoas que se empenham na realização de seus sonhos não se conformam com a uniformidade, assumem o preço de serem diferentes e, geralmente, nadam contra a corrente. Isso requer coragem! 
Coragem de ser, não simplesmente de fazer. Ser é mais difícil do que fazer, afinal, é no ser que o fazer encontra o seu sustento. 

Faço a partir do que sou. Não o contrário. 

Eis a questão...
Agir é um desdobramento do meu ser. Eu sou, antes de fazer qualquer coisa. Há em mim uma realidade que me faz significar, mesmo que um dia eu fique totalmente incapacitada de realizar qualquer ação. Eu sou, mesmo na incapacidade dos movimentos e na impossibilidade dos gestos. 
Nem sempre podemos compreender tudo isso, por mais simples que seja. 
Vivemos na era da utilidade, onde tudo tem que estar conectado a uma função prática, onde o fazer prevalece sobre o ser. 

O que você faz na vida? Esta é a pergunta. 
O que você é na vida? Continua sendo a pergunta. Mas a primeira é mais fácil responder. Dizer o que se faz não dá tanto trabalho quanto dizer o que se é. O que se faz é simples de se dizer e as palavras nos ajudam, mas dizer o que se é, não é tão simples assim, e por vezes, as palavras nem sempre nos socorrem. 
Sou muito mais do que posso dizer sobre mim mesma...

Por isso não gostaria que este artigo terminasse com uma pergunta pragmática, dessas que lemos em todas os papos que costumamos freqüentar. 
Opto por uma pergunta que não espera por resposta imediata, tão pouco pelo desconcerto da fala. 

Só lhe peço que honestamente debruce-se sobre ela: Quem é você?

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Adoração




"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito".
Fernando Pessoa

De alguma forma, fomos feitos para seguir em frente mesmo sem a ideia de que a perfeição ainda está longe de ser compreendida e ao contrário do que pensamos, nos misturamos com o resto de sentimentos para viver nesse caos e contemplar essa total desarmonia que vivemos.

É fato que nós adoramos as coisas simples porque elas são o último refúgio de um espírito complexo. Eis aqui essa maior relatividade entre o amar e o adorar.

Amamos o belo e adoramos a sua intensidade, amamos os sinais e adoramos os seus incontáveis significados, nos entregamos ao amor e adoramos a sua capacidade de nos transformar. Essa balança sutil e extremamente presente que apreciamos desvendar através de palavras e gestos. Nos inclinamos aos significados, mas pendemos sempre para o lado racional de cada situação.
Ainda sim, com todos os prós e contras, adoramos as teorias. 

Nós precisamos viver nossa adoração através da ação. E com tudo isso, mesmo sob todas as possíveis e plausíveis explicações, nos perdemos...em nós mesmos.
Nos justificamos por vezes em que o silêncio deve imperar; adoramos o caos ao invés das soluções emergenciais. Não suportamos a rotina e o amor que lhe é empregado.

Cada parte de mim vai em direções diferentes e com isso meu rumo é apenas contemplar o inesperado. Se assim for, adoro tudo aquilo que me possibilita.
Todo esse intenso distinguir que no fim apenas deixamos passar; vivemos o momento por acreditar que nele residem todas as respostas.
Nos acostumamos demais ao que nos faz bem e deixamos seguir em frente com total e completa adoração; afinal nada é impossível para um coração repleto de vontade.

Uma vez me falaram que o adorar representa um sentimento completo, que nele reside a intensidade e a razão onde o amor perde as forças. Um poder absoluto e completo dentro de nós; temos por dentro um caminho longo a percorrer e talvez...talvez consigamos decifrar essa total e absoluta incoerência em sempre aceitar ao invés de nos entregarmos a esta preciosa percepção.

Adorar e não apenas amar o momento.

Buscamos aquilo que não existe explicação, a atenção de quem admiramos e a adoração de quem amamos. Fato!
Mas algo nisso tudo é completa e verdadeiramente esmagador: Adoração não é só musica: tem a ver com a nossa atitude diária.

Adoro as coisas simples, elas são o último refúgio de um expírito complexo...e completamente entregue para a vida.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Destino


...Saiba que seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora...
Martin Luther King

destino decide quem entra na minha vida... Minha atitude decide quem fica.
Talvez por isso acredito que não existam coincidências, não creio em uma força que possa me esbarrar com algo sem ser por pura e completa razão de ser.
Aprendemos no decorrer do caminho; seja pelo amor ou por total e completa dor. 

Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas tem que refletir o que somos.

Insistimos quando a vontade supera nossas próprias expectativas?, talvez.
Ironicamente fazemos nossos caminhos e os chamamos de destino.

Ainda sim, somos surpreendidos com nossas atitudes em deixar que as pessoas levem muito mais do que absorvemos delas; doação e colisão..o tempo todo. 
Compreendemos tardiamente que são nossas decisões e não nossas condições que determinam o destino.


Estabelecemos regras, ainda sim nos permitimos levar. Não se trata de um jogo, abrimos exceções e construímos relações com o propósito de sermos aceitos, admirados. 
Criamos exemplos e contemplamos o alheio como uma forma singela de estarmos ligados a outras pessoas. É tão único sentirmos a diferença que fazemos na vida de outras pessoas por sermos simplesmente quem somos.

Entramos e saímos com a mesma intensidade, ainda sim, olhamos para trás diversas vezes em busca de uma sintonia, queremos aquilo que a alma acolhe com o olhar. 

Precisamos aprender a abrir mão daquilo que não nos pertence; deixar ir...é como diz o velho e sábio poema de Fernando Pessoa ; Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão e se ficar... era para ser.
Tardiamente ou não cruzamos destinos o tempo todo e cabe a nós darmos significados a cada novo encontro ou absorver cada reencontro repleto de felicidade indecifrável.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você.

Tudo acontece ao nosso redor, talvez por isso enxergamos que o eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata.

Eu fecho aqui este artigo citando um poema de Clarice Lispector onde podemos encontrar não somente uma resposta para o que chamamos de destino, mas que verdadeiramente declaro por ser a vida pura e simples.

Sonhe com o que você quiser. Vá para onde você queira ir.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. 

Dificuldades para fazê-la forte. 
Tristeza para fazê-la humana. 
esperança suficiente para fazê-la feliz."

sábado, 13 de julho de 2013

O despertar




Tudo é questão de despertar sua alma.
Gabriel Garcia Marquez

A cada dia que passa me convenço mais de que somos parte de um universo infinito onde possuímos um lugar ímpar na vida de cada um que conhecemos; uma parte integrante e completamente pessoal que nos desperta para a vida.
Hoje sei que escrever é a forma que encontrei de me manter acordada para este universo, é algo semelhante ao despertar quando se mantém os olhos fechados para não afugentar o pássaro encantado dos sonhos.

Vivemos através de realizações e afirmações muito mais que pessoais.

Eu não busco a felicidade, apenas me mantenho no caminho para que ela me encontre; cultivo sentimentos fulgases e com isso deixo florescer novas e inspiradas ideias.
Precisamos seguir um rumo e nos permitir crescer, mas acima de tudo, nos reinventar para não cairmos; levantar nem sempre é fácil quando há desejos de seguir esta órbita natural dos fatos.
Observando os seres de um modo geral, percebo que somente aqueles que sentem o despertar da consciência, manifestado pelas inquietudes internas, visando a própria superação, são capazes de interessar-se pelo que está além da vida corrente.

Somos parte de uma obra tão bem constituída que por isso acredito que o obstáculo que vemos no nosso caminho, somos nós mesmos.
É importante perceber que o despertar depende de você...
E quando isso se torna real, certamente as prioridades mudam e passam a ser frequentes.
Sustentamos nosso próprio limite como uma espécie de aprendizado; deixamos de nos vigiar o tempo todo, afinal; caminhamos com calma, sorrimos com uma frequência verdadeira, ajudamos sem cobrar. 

Então por que será que somos sempre alcançados por devaneios sobre nós mesmos?
Devemos pagar o preço por essa sutil resposta...todos os dias...todos os segundos de nosso tempo. 
Esperamos demais de pessoas que nem sequer fazem parte da nossa história.
Concordemos com Shakespeare: Lembrar é fácil para quem tem memória, esquecer é difícil para quem tem coração.
Faz parte desta singular rotina que nos deixamos cair e que prazerosamente se torna confortável.

Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.
Permissão...precisamos admitir este encantador e sutil passo interior.

Cada alma e seu devido corpo; cada despertar em seu devido tempo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sentimento do mundo



Pare o mundo que eu quero descer...


Com o passar do tempo gostamos de resgatar acontecimentos ímpares que nos fizeram perder o fôlego, situações em que a risada reverberava através do peito, deslizes que nos fizeram aprender, palavras que dissemos, mas acima de tudo...procuramos lembrar do que fomos um dia e o que faz a vida fluir através das veias.

Uma criança, um adolescente, um adulto...intenso e completo em todas as fases.
Entra aí os sentimentos deste mundo interno que possuímos. Não deixamos de somar as emoções que chegam e invadem nosso silêncio, é preciso mesmo aceitar cada porção de insanidade que nos acolhe; despertamos para a vida e suas infinitas dúvidas.

Saborear a doce melodia das vozes interiores...bom começo ou recomeço para muitos. O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos, mas a maneira como você encara a vida é que faz toda a diferença.

Permitimos que as raízes cresçam e tomem conta de um pedaço só nosso e eis que falemos com muita certeza: Aos olhos da saudade como o mundo é pequeno, mas acima de tudo se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.

Pesos e medidas em um só fato: somos o mundo inteiro dentro de nós mesmos.

E como ocupamos espaço...real e do tamanho dos nossos sonhos.
O sentido da vida é estar vivo...é claro, óbvio e simples. Mesmo assim, todo mundo não para de correr, como se fosse necessário conseguir alguma coisa além de si próprio.

Vivo em uma época onde as gentilezas são feitas através de insanas palavras, gestos duvidosos e olhares sem verdade. Será que a nossa geração está apenas interessada em mudar o mundo e não realiza que a verdadeira transformação ocorre de dentro pra fora?
Vivemos uma fragilidade absurda e mesmo assim aprendemos quando é tarde demais.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Nos sentimos esgotados por tentar fazer parte de um pequeno pedaço de um mundo diferente; menos acelerado e completamente desapegado. As pessoas estão voltadas para o próprio bem e não para o senso comum que as rodeia. 

Somos poucos, mas procuramos semear a diferença; atos, sorrisos, abraços..verdades sólidas e permanentes.
Eu ainda acredito nesta roda viva que habitamos e eis que sabemos o porque de tanta água: ela dissolve nossas lágrimas, leva embora o que não alimenta nossa alma e se renova a cada fonte que surge em diferentes vales.

Cabe a cada um sair em busca daquilo que mata não somente a sede, mas uma ampla e clara visão através do mundo.


Ainda sim...Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo.
Carlos drummond de Andrade