quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O que deixamos para trás...


Vai, segue seu caminho sem olhar pra trás, deixe os erros no passado, mas aprenda a não carrega-los para o futuro.

Eu não deixo ninguém para trás, algumas pessoas é que me perdem um pouco a cada dia e nem percebem…e se for para perder ou seguir em frente...sempre...não importa o que for ou por simples e puro abandono, que seja pelo real e completo sentido de ser.

Aquele que sufoca e limita os passos ao longo do tempo.

Se você deseja viajar longe e rápido, viaje leve. Deixe pra trás todas as suas invejas, ciúmes, incapacidade de perdoar, egoísmo e medos.
Se você tem a coragem de deixar para trás tudo que lhe é familiar e confortável e embarcar numa jornada em busca da verdade... e se você tem mesmo a vontade de considerar tudo que acontece nessa jornada como uma pista; se você aceitar cada um
que encontrar no caminho como um professor; se estiver preparado e acima de tudo de frente para encarar (e perdoar) algumas realidades bem difíceis sobre você... então a verdade será colocada no seu horizonte.

E quantas viagens nós planejamos não é mesmo?
Quantas andanças por ai; queremos nos colocar em um percurso, direto e o mais curto possível; adoramos as respostas e os mapas claros com seus traços finitos.
Outras vezes nos perdemos nas imensas linhas do tempo; deixamos para trás lembranças ou lamentos; grandes ou pequenas recordações de uma morada temporária a qual fizemos parte. 
Nos sentimos bem ao concluirmos algo ou apenas então, dando adeus para aqueles que certamente não veremos outra vez, por pura e completa falta de afinidade ou tamanha que chega a confundir o rumo.
Levamos na lembrança a singela e doce verdade do que valorizamos para nossa vida.

Certas pessoas e suas histórias, suas e de mais ninguém…

Deixamos para trás aquilo que nem sempre possui uma explicação, apenas porque precisamos compreender a balança entre que é certo e errado.
Pesamos as medidas de nossa própria existência?…por que não?…

Amizades, paixões, amores…
Ainda que tenhamos compartilhado memórias, risadas e boas conversas; a vida espelha o que a compreensão e a verdade reflete; independente de tempo, espaço e pessoas.
Antes de virar e dar adeus, procure deixar um pouco de si e mesmo que toda despedida seja dolorosa por ser um pedaço da vida que deixamos pra trás perdendo a chance de vive-la; vale a pena experimentar certos sentidos desconhecidos por essa andança…e saber que sua contribuição fez valer a pena para muitas pessoas ao longo do caminho.

Procure sempre olhar à sua frente para não tropeçar em sua caminhada pois as pegadas deixadas para trás só servirão para aqueles que desejarem seguir os seus passos.
Algo é muito certo: quem parte sempre deixa pra trás muito mais do que leva em sua bagagem pois as pessoas podem esquecer o que você fez, o que você disse, mas nunca esquecerão o que você as fez sentir.

Inspirações, aspirações, desejos e impulsos.

E para darmos um passo a frente é preciso deixar algo para trás. Alguns deixam o medo, outros o enfrentam. Aos poucos compreendemos que quando olhamos para trás e enxergamos que mais da metade dos sonhos a gente simplesmente esquece, constatamos que o deixamos para trás porque eles de alguma forma pararam de fazer sentido.

Nunca gostei de despedidas…deixar para trás quem é importante para mim, nunca foi o meu forte…e continua não sendo. Eu gosto de quem vem e fica, de quem pode até ir, mas volta; de quem me rouba sorrisos sinceros e faz questão de devolvê-los ainda mais belos. 
Gosto de quem me abraça e não me solta antes que eu peça, gosto da permanência, da certeza… Do que tão pouco hoje em dia existe: O eterno, o para sempre, o sem fim.

Talvez por isso eu tenha andado muito e até hoje continuo deixando ao longo do percurso um rastro bom e contínuo chamado existência, ela vem e nunca para.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Das conquistas de cada ser...


Sonhos determinam o que você quer..ação determina o que você conquista.

Certa vez sentada em um parque lendo meus artigos em busca de inspiração, me peguei ouvindo dois senhores que ao lado conversavam sobre a conquista humana…  E sem querer, naquela mesma tarde fiquei pensando sobre como somos influenciados por cada parte de nossos sonhos e quando dei por mim entrei em uma discussão interna sobre a verdade e uma possível confirmação de valores e constante procura pelo real…Seria a conquista nossa maior realização pessoal? 

Esse sentimento de dúvida sobre a fé humana; estamos sempre buscando ou nos apoiando em algo que nos sustente ou que pelo menos nos sirva de apoio moral / emocional por algum tempo, ou tempo suficiente por uma vida.
Quem pode estimar o quanto é o muito para cada um?
Acreditar e nos espelhar; mas são as portas internas onde residem a real e infinita morada do conhecimento humano.Um homem pode ser e ter tudo o que ele quiser, desde que para isso arque com o peso de suas escolhas e valores.

Somos o que somos devido a sentimentos que construimos ao longo da nossa vida. 
Está ai uma promessa de boas conquistas internas.

Cultivamos aquilo que plantamos e com nossas sementes, provemos o mundo ao nosso redor.
Preservamos sentimentos de culpa como uma forma de apaziguar a dor que causamos como um exemplo para nós e isso não só prejudica nossa alma, como nos faz imperfeitos para este mundo. 

Crescemos para uma vida a qual não somos preparados e por isso somos tão questionadores com ela e com os sentimentos a que somos expostos. Nunca teremos respostas e isso é um fato.
Precisamos alimentar nosso espírito com atitudes…diárias.
Possuímos o incrível dom de nos sobressairmos e com nossas conquistas descobrimos o mundo.
Uma vez que nos exposmos ao desconhecido, nossas portas se abrem e se tornam uma fonte inesgotável de surpresas enriquecedoras.

Parte de toda conquista é seguida por uma série de inspirações e por elas somos capturados; então somamos não somente expectativas em cada etapa do processo, como também adicionamos milhares de sentimentos ímpares e singulares.

E tão unicamente Drummond disse: "A conquista é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos normalmente, optar pela arrumação."

As conquistas são fáceis de fazer, porque as fazemos com toda nossa vontade; são difíceis de conservar, porque as defendemos só com uma parte das nossas forças.
Com isso precisamos encontrar o equilíbrio através das tentativas que fazemos e compreender que para toda ação existe mesmo uma reaçãoque pulsa sempre a nosso favor, basta que para isso você se abra para as oportunidades ao redor.

Muitas vezes então, as conquistas se tornam subjetivas dentro de cada um; pois ao descobrirmos o real valor de cada desejo interno concluímos que a conquista é parte de um processo e não o seu fim.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Das incoerências da vida...


Tempo é o senhor da verdade e o demolidor de toda incoerência.

É tão natural destruir o que não se pode possuir, negar o que não se compreende, insultar o que se inveja; por isso mesmo quando os fatos são claros deixamos o espanto tomar conta e apenas olhamos para frente acreditando que mudamos não somente a direção de nossa vida,mas também influenciamos aos que nos rodeiam.
É mais ou menos assim:
Será que basta apenas um pequeno gesto para guardamos na memória as lembranças
daqueles que souberam nos conquistar?


Está aí uma pergunta que nos faz ir além do que realmente tem peso na vida; saber o que é ou não é para sempre.

A incompreensão nos torna subjetivos na maioria das vezes, mas a incoerência nos faz ser subjetivos..com tudo e todos. 

A julgar pelas nossas decisões, deixamos que os atos impensados se tornem reais na maioria do tempo; e convenhamos que o tempo nos prega inúmeras peças no decorrer de cada falha que tomamos, ou, nos tornamos.
Concluímos com o imediato e refletimos com o pesar.

A incoerência faz com que nós nos tornemos indecisos, faz com que nossas escolhas não sejam diretas só por não ter sentido, ou por ter duplo sentido, ou porque queremos descobrir o sentido daquele sentido, ou por ser só mais uma questão a ser tomada sem relevância, que não tenha mérito de ser julgada.
Afinal: Tem sempre alguém para defender com todas as forças as suas idéias e claramente se apegar a qualquer inconstância de suas dúvidas.

Ao invés de porquês, busque felicidade; para que motivos afinal?. Busque amores, mesmo que doa; quem ama sente medo, mas não se pergunte sobre o medo; apenas o viva. Viva intensamente da melhor forma e a mais correta. Cada um tem sua definição de bom e ruim.. gosto não é discutível; o seu “correto” não será obrigatoriamente o meu.
Deixe a indiferença de lado pois todos nós somos capazes das mesmas coisas, só faça por merecer, o esforço é a base do sucesso. 

Humildade... ter consciência que para sermos excelentes, devemos nos igualar aos que já estão mais avançados nesse processo de melhoria e jamais julgar ou desmerecer os que ainda estão começando.

O processo será sempre difícil e apesar de todo auxílio (ou não), sua verdade jamais prevalecerá.

E você? Você é a soma do seu passado mais a sua circunstância. Equivale com o que se fez anteriormente mais as suas conseqüências. Sobretudo sabemos quem somos; nosso ego afirma, mas dizer o porque no momento em que temos que o fazer, não só se exprime o que se sente como o que se sente se transforma lentamente no que é dito. O “eu” é a auto-avaliação que fazemos e para o nosso crescimento precisamos acima de tudo aceitar com vigor as ideias que são postas e aceitar que nos julguem. 

Permissão, é esta a palavra.

Tudo é uma questão de compreender ou não o que você encontra e se enfrenta por aí. O seu poder de julgamento será sempre um pesar maior para você mesmo e compreender esses limites fazem com que sua maneira de enfrentar os dias se tornem ímpares; você estaciona o seu próprio jeito de se cobrar diante de ideias e ideais.
Fuja de demagogias; elas absorvem um tempo precioso e ocupam o espaço onde bons frutos podem sempre surgir.
Com isso eu só posso reafirmar: incoerências servem de espelhos, reflete uma imagem e destorce a essência.

A incoerência alheia é um dardo certeiro nas certezas e vontades

Finalizo aqui com uma citação de Oscar Wilde; que mesmo antiga, produz um pesar  infinitamente grande nos dias de hoje: 
Viver é a coisa mais rara do mundo, a maioria das pessoas apenas existe.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um singelo sorriso...

"Pouca coisa é necessária para transformar inteiramente uma vida: amor no coração e sorriso nos lábios."
Martin Luther King

Sorriso, diz-me o dicionário, é o ato de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contração muscular da boca e dos olhos...O sorriso, ao meu olhar, é muito mais do que tais pobres definições, não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troca, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo, o irônico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, onde o ser e o estar ocupam o mesmo espaço/tempo.


Há os que dizem mesmo que a vida é muito importante para ser levada a sério…e portanto sorrir é mesmo uma questão de escolha…de cada um.
Existem ainda as inúmeras mensagens que transmitimos ao sorrirmos; uma imprudência ao carisma, um ato de total vergonha ou apenas a necessidade de passarmos adiante onde nossas palavras não alcançam.

Sorrimos quando não sabemos o que falar?
Por que não?…interpretações e contextos nunca se encaixam na mesma frase, então…
Nos encontramos com uma variedade enorme de sorrisos todos os dias e espontaneamente nos abrimos ao alheio, inerente a nossa vontade; uma espécie de agradecimento da alma.
Quando sorrimos, levamos a alguém certa certeza clara e sutil de que o bem esta sempre por perto.
Deixamos claro a ideia de que sorrindo elevamos nossas vontades para outros e com isso abraçamos o que nos faz sorrir.

Ainda existe tudo aquilo que nos faz sorrir a toa por ai…uma essência, não é mesmo?
Quantas vezes já me disseram: Não chore, você fica bem melhor sorrindo...

Talvez…eu ainda creio.. que o sorriso seja a manifestação clara, pura e simples dos lábios; quando cegamente os olhos encontram o que o coração tanto procura.
Ainda que seja um calmante natural para a alma, sorrimos para a vida quando a vida se abre para nós.
E que idioma universal….sem som, sem dúvidas; uma entrega natural.
Definitivamente sem cobranças ou apenas e unicamente sem dívida alheia; ou você o entrega por livre vontade; ou cegamente se tornará um hipócrita de seus próprios valores.

O sorriso possui uma força com infinitas dimensões, ele nos abre portas, o apresenta aos amigos, mostra a força interior, reconstrói nosso interior em questão de segundos, nos liberta da amargura, cura os sentimentos de perda, ele não limita o sofrimento; mas certamente alivia a sua dor.
Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz, isso é bem certo.
Cremos no fundo que tal largo, alegre e lúdico ato da vida seja o responsável pela existência da esperança.

E quando você pensa que conhece todas as faces da vida, descobre-se que as maiores verdades são ditas sorrindo.
Porque não há sentindo, se não houver mudanças... Uma vez inverno, outrora primavera. Uma vez sozinho, outrora na multidão. Uma vez chorando, outrora sorrindo. Uma vez observando, outrora sentindo. Uma vez lamentando, outrora se alegrando. Uma vez silêncio, outrora cantando. Tudo está em constante mudança, até mesmo seu coração.
E com ele…descobrimos que o poder de um sorriso esta em ser verdadeiramente inteiro e não apenas um fragmento.

Afinal: Quando percebo minha vida, amanheço o dia sorrindo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O que eu tanto amo...


O Amor não tem outro desejo senão o de atingir a sua plenitude.
Khalil Gibran

O que é o amor se não um alerta do coração...

Com o tempo percebemos que para ser feliz com uma outra pessoa você precisa em primeiro lugar não precisar dela. O amor é algo tão pessoal que mesmo sozinho, conseguimos desenvolver este pulsar por algo, até que certo alguém apareça e mude todo o sentido literal da palavra.
Percebemos que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida, com isso aprendemos a gostar e cuidar de nós mesmos e, principalmente, a gostar de quem gosta de gente.

Quando encontramos o amor, descobrimos o que nos faltava na vida.

Entregamos nossa alma e coração sem exigir nada...absolutamente nada. É o momento da vida em que acordamos de frente pra ela e apenas contemplamos o nosso amanhecer pessoal.
Despertamos para curiosos comportamentos, assimilamos gestos, somamos olhares, desfrutamos das risadas, abraçamos com emoção, discursamos sem fundamento e sem dúvida permanecemos quietos e deixamos o silêncio ocupar seu espaço tornando qualquer palavra algo subjetivo de ser...faz-se perceber que onde impera o sentimento a razão perde seu sentido.

E existem tantas formas de viver esse sentimento que ainda nos é desconhecido seu poder de alcance, apenas nos deixamos levar e colhemos os frutos desse sentimento lúdico e infinito.
Somamos...somos.
Nós o acolhemos; perdemos a noção dos possíveis fatos e apenas nos deixamos levar de forma intensa, real e descompassada.
Mas o fato é que o amor só é real quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.

Equilibramos a alma para que nossos pés se percam no caminho.
E mesmo nesse meio fio em que nos colocamos, os sentidos ocupam boas proporções, infinitamente particular de ser/sentir/existir.

Ainda sim, com toda teoria sobre o amor, nos permitimos ser conduzidos; perdemos a voz...O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, uma vez que a função do amor é levar o ser humano à perfeição, será feliz aquele que se permitir a entrega, conhecer a admiração e descobrir o vislumbre deste sentimento universal, bilateral e frequente.
E com todos os prelúdios, poucos escutam o som do coração.

Queremos apenas nos perder com aquilo que possuímos controle, quando na verdade se perder é uma das chaves para o equilíbrio.
Uma doce fragilidade humana em acreditar que para amar é necessário compreender
Amar... sentimento dos nobres, dos confusos, dos insensatos, dos expontâneos.

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e 

por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Respostas



Um pouco de paz é tudo que buscamos nessa vida...
Talvez apenas poucos minutos de calma para compreender os pensamentos e coloca-los de forma equilibrada e contínua.
Pensar, interagir, responder...3 formas e contextos divergentes em uma mesma situação.
São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência.

Esperamos demais das pessoas; esquecemos que nem sempre teremos espelhos diante de nós capazes de suprir essa total e incoerente carência que em viver no imediato das situações. Essa fronteira que procuramos ultrapassar em nome da boa e sábia sanidade mental.
Não há nada mais irritante do que respostas não-respostas...

Não gostamos de ficar no silêncio e contemplar a angústia, mas sem dúvida depois de  algum tempo com nossos próprios devaneios, compreendemos que as únicas respostas interessantes são aquelas que destróem a questão.
E mesmo com toda a certeza que empregamos no outro, as únicas respostas interessantes são aquelas que destroem as perguntas.

Então porque nos colocamos a prova em todas as situações da vida?
Onde depositamos nossa confiança?

Sabiamente Veríssimo descreveu: Quando a gente acha que tem todas as respostas,vem a vida e muda todas as perguntas. E é nessa montanha russa sem definição que nos jogamos: enxergamos palavras onde impera o silêncio alheio; e com isso nos escondemos dentro de nós; queremos escutar o que tanto pode nos modificar.

Creio que existam situações onde definitivamente necessitamos de uma resposta certa, aquela que pode mudar nossa direção e nos fazer traçar caminhos, remanejar perspectivas e sem dúvida nos possibilitar descobertas; porém...sim existem os poréns...
É preciso não procurar respostas para algo onde não cabem perguntas.

Ou você fala; ou meu caro, precisa engolir as palavras e no tempo se perder.
Responda "não sei" e prepare-se para o show de questionamento. Tenha certeza de sua resposta, de sua falta de posição e com isso esteja seguro e armado; armado de argumentos..válidos e reais.

E com todo o mundo dentro de nós, as vezes devemos esvaziar a mente para encontrarmos as respostas certas ou então parar e repensar para onde estamos nos direcionando. 
Desnecessárias são perguntas e respostas quando a realidade não precisa de palavras para dizer o que é. Muitas vezes o que de verdade nos falta é a coragem da aceitação. A coragem para admitir que tudo o que foi trocado cumpriu o seu destino da melhor maneira que conseguiu, no tempo que conseguiu.

Precisamos parar de nos prender a expectativas ao que as pessoas podem falar para nós. Palavras são carimbos e atitudes são tatuagens..lembre-se bem disso na hora de cobrar por algo que compete somente a você.
Palavras tornam-se subjetivas aos olhares; eles nos dizem muito com tão pouco.
Mesmo querendo ouvir o que tanto você quer, não julgue a falta alheia, aceite que poucos possuem a força que você tanto transmite.

As nossas certezas de hoje serão contradições do amanhã, e como num piscar de olhos deixemos então a vida seguir sua constante mania de nos surpreender.
Uma coisa é certa, suas dores de cabeça serão menores e seus prazeres serão mais surpreendentes e chegará um tempo em que você não esperará mais respostas, apenas continuará procurando por novas perguntas.

A vida é assim, intensas perguntas e fugazes respostas.

sábado, 5 de outubro de 2013

Por dentro dos pensamentos



Possuímos pensamentos que, se pudéssemos revelar e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens. Mora aí a dificuldade em exemplificar a racionalidade onde impera a emoção.
Talvez por isso, Buda verbalizou: Somos o que pensamos, tudo o que somos surge com nossos pensamentos e com nossos pensamentos fazemos o nosso mundo.

Crescemos e vivemos dentro de nós...tempo demais.
E esse pedaço de nós que não compartilhamos nos torna gigantes; como uma imagem que não permitimos transparecer...por medo, dificuldade em aceitar ou até compreender a extensão do que possuímos neste lugar infinito onde habitam nossos pensamentos.

Muitas vezes nos deixamos levar por uma série de pensamentos ruins, mas é porque não conhecemos a força da perfeição, não descobrimos ainda a lei do melhor...o longe parece um lugar tão incomum não é?
Não analisamos nossas fraquezas; queremos olhar bem fundo nos olhos e ver como somos bonitos, como fizemos e fazemos as coisas maravilhosas e como estamos cheios de vontade. 
É assumindo a responsabilidade sobre essas vontades e projetando com força nessa identidade de saber que possuímos o poder de fazer o melhor. Despertar o espírito é viver nele; é ter a satisfação de ser você mesmo.
E como é pretensioso os laços que nos mantém firmes nessa teia de dúvidas.

Liberdade de pensamento e assumir a grandeza desse salto no escuro...

No fundo queremos uma compreensão pelo não dito, uma absolvição pelos erros não cometidos e uma total cumplicidade pelas dúvidas infundadas, uma credulidade pelas nossas escolhas e um incentivo aos devaneios.
Essa incrível capacidade de pensar além sem sair do lugar.
Por dentro somos uma multidão...vozes e vozes nos ditando palavras e ainda sim...ainda sim pensamos rápido demais em comparação a uma lentidão irritante que verbalizamos.

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo, nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. 
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. 


Gostamos de cultivar uma certa insatisfação sobre o não dito, pois no fundo as palavras desaparecem quando as guardamos tempo demais. Seu sentido, sua vitalidade...sua força.
Esse paralelo ainda sem parâmetros que construímos e que sabiamente Nietzsche descreve como o poder de agir.

Nada lhe pode ser respondido que já não exista em você mesmo. Não podemos abrir outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe pode se dado a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Creio mesmo que podemos nos ajudar a tornar visível o próprio mundo e isso é tudo.


Por dentro possuímos um mundo particular onde visualizamos o poder de nossos pensamentos, nos permitimos, não nos sabotamos, não dizemos não. Nos deparamos com um acaso que aclamamos, gritamos ou até mesmo permanecemos no vale do silêncio.
O que é nosso apenas nos pertence, fazendo com que no final de cada frase, nos sintamos um maestro...ditando e ditando regras que raramente colocamos para fora.
E por isso mesmo quando uma criatura humana desperta e sobre a vida lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.

Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.
(Confúncio)

domingo, 29 de setembro de 2013

Não aprendi a dizer adeus...



A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração.
Charles Chaplin



Passamos nossos dias recordando sempre de momentos e pessoas que marcaram nossas vidas e como sem querer, transformamos tais memórias em doces e simples laços de saudade. E falar de pessoas e momentos, nem sempre são simples, pois egoístas que somos, não conseguimos fechar portas sem deixar algumas janelas abertas.

Amizades, amores, grandes encontros e sem dúvida boas histórias em comum, sejam compartilhadas ou não, ainda sim, desejamos que nunca se acabe e que bons segundos se transformem em horas e que as horas se transformem em dias...paramos de contar quando nossos olhos descobrem o prazer em admirar os instantes.

Quantos abraços cabem em um simples sorriso?, bem meus amigos contam que possuo um sorriso largo e verdadeiro, talvez more aí a minha mais sincera sintonia com a vida: eu carrego comigo uma intensa vontade de viver cercada de abraços e por isso sorrio..o máximo que posso para cada uma dessas pessoas especiais que cercam minha rotina. 
Algumas destas estão longe, outras agarro diariamente; e como é bom saber que a vida nos presenteia todos os dias nos apresentando a outros e outros possíveis abraços.

Vivemos para nos encantar.

Eis aqui um paralelo nisso tudo: Há encontros na vida em que a verdade e a simplicidade são o melhor artifício do mundo e você passa a compreender que nada é mais significativo que ter pessoas que fazem a diferença ao seu lado e que estas nos presenteiam com um sentido muito mais que literal.
Eu acredito nas casualidades, nos encontros, nas passagens, nas conversas, nas músicas, em bons livros, no que somos e nunca deixamos de ser.
Eu acredito que podemos ser muito fortes, muito mais e que mesmo com todas as concordâncias e discordâncias podemos ser como todos e o tudo o que podemos ser capazes....não é mesmo?

Sim... do mundo nada se leva, mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus, não é?

São tantos encontros e desencontros, a vida nos prega coisas que é impossível explicar mediante as palavras. A época em que pessoas entram em nossas vidas, pessoas que parecem mesmo que vão ficar por uma longa duração, parece mesmo um sonho, até por que sonhar é a palavra que escolho para descrever mediante a tudo que eu já passei até chegar aqui. 

A vida é assim e a cada dia ela nos propõe algo diferente, coisas inexplicáveis. A cada saída, a cada chegada, um novo recomeço, um novo rumo. É fato que no caminho nos machucamos, mais existe sempre algo nos surpreendendo com tudo, é preciso não exigir e compreender o acontecido já que somos seres humanos em busca de uma felicidade constante..mas inconstante na maioria do tempo.
Para alguns a caminhada começa cedo e seus momentos tristes não passam de um dia hoje em dia, fatos e detalhes ímpares.
Ainda sim, mesmo com essa irregularidade diária e pensamentos permeados de perguntas, não abrimos mão desta ambivalência em que estamos...

E no meio disso tudo ainda nos perguntamos se felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente...
...Eu certamente não aprendi a dizer adeus a nada disso.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Pessoas



Cada indivíduo tem o que lhe compete... o que mereço é meu. 
Conquistar tudo que quero me compete, é só desejar e ponto.

Em um mundo repleto de pessoas, ocupamos um lugar ímpar em uma sociedade lotada. Sentimentos e ímpetos competem entre si e fazemos parte dessa massa, que a cada dia, realiza e idealiza um contexto existencial.
Ocupamos a vida dos outros e deixamos que eles façam parte da nossa história, ou simplesmente os deixamos entrar sem ao menos pedir permissão.
É um entra e sai que muitas vezes deixamos pegadas espalhadas por todos os lados.

Ainda sim, cruzamos semelhanças em pessoas que nem sequer eram ou são importantes para nós.
Elas cumprem uma espécie de missão...entrando e derrubando paredes ou apenas, colocando razões e sentidos onde nem sequer desconfiávamos precisar.
Assim são os estranhos e suas ímpares lições...eles nos fazem enxergar além de um quadrado particular que nos rodeia.

Começamos a emergir além da nossa visão periférica.
E nada melhor que nos enxergarmos através de olhos cristalinos.

E quantas pessoas cruzam nossa existência...seja por um sorriso ou apenas em busca de uma palavra que as acolha ou frases que as denominem. Sim, certos semelhantes ainda são muito mais suscetíveis ao incondicional - eles gostam de fazer a diferença mesmo que através de erronias atitudes.
Mas isso é o que podemos descrever como um erro do sistema, nós abrimos portas buscando um apoio e acabamos nos arremessando ao abismo.

O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade. E por isso acredito muito na frase de Drummond que diz que a amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas.
Criamos laços com aqueles que nossa alma se identifica e assim fazemos um universo particular ao redor do mundo.

Não acredito em pessoas que se complementam, acredito em pessoas que se somam.
Menos drama e mais sentido para uma vida com verdades e portas abertas.

Mas ainda que existam loucos, desajustados, rebeldes, criadores de caso, pinos redondos nos buracos quadrados, aqueles que vêem as coisas de forma diferente... não curtindo regras e não respeitando o status quo... podemos citá-los, discordar, glorificar ou caluniar... não podemos ignorá-los. Porque assim sim eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam de verdade.

Para isso, temos de nos bastar como indivíduos e sermos único em uma grande maioria, não nos escorarmos e muito menos aceitarmos um pouco como um tolo e sem sentido afago.
Para estarmos de fato aqui é necessário ultrapassarmos nosso egoísmo e nos dedicarmos ao outro de maneira autêntica e real. Somos afinal, cabeças pensantes e almas libertas.
Nos atraímos pelo desconhecido como uma forma de aprendermos mais sobre a prudência e a inteligência alheia...gostamos da constância de sentimentos empregados e sem dúvida do apelo significante da palavra exclusividade.

Será mesmo que estamos dispostos a abrirmos mão da privacidade que nos cerca em nome do outro?. Enquanto alguns citam isso como auto preservação, calo o mundo informando o tamanho de seu medo.
Acorda!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Memória



Todos nós temos nossas máquinas do tempo. Algumas nos levam pra trás, são chamadas de memórias. Outras nos levam para frente, são chamadas sonhos.
Jeremy irons

Atravessamos pontes, cruzamos caminhos, percorremos distâncias incontáveis...nós criarmos nossas próprias memórias e ainda sim recuamos para o tempo; uma saudade inquietante que resgatamos a qualquer hora e lugar.

Chegando sem avisar, nos fazendo regressar e frear em qualquer parte do tempo.

Relembrar é viver?

Como diz Saramago...Fisicamente habitamos um espaço, mas sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
Não existem parâmetros para revivermos nossas memórias...as vezes é necessário retroceder nossa visão do mundo pra resgatar as forças necessárias e continuar a jornada.

Recordei agora de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade do mundo e dificuldade em ser permanente...
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”... e se não tiver mês que vem?.

Eis aqui a curva de uma lembrança permanente, aquela que nem sequer nos apresentamos ou nos preparamos para o momento.

Se temos um tempo na vida, certamente é para colocar a vida em um ritmo constante.

Ainda sim, possuímos uma conta boa ao relembrarmos aquilo que nos faz bem e aquilo que principalmente nos faz mal; gostamos de saber onde erramos e o porque de ainda termos tais memórias tão vivas e gritantes por perto.
Vai compreender...muitas pessoas resgatam seus erros enquanto outras simplesmente seguem em frente com uma incontável parcela de esquecimento.
Cada qual com sua cota de lembranças e com isso nossa convicção a respeito de nós ou do que pensamos é mais do que relativa. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos e com eles fazemos o nosso mundo.

Externamos ao mundo o que nos faz perder de vista.

Eu me orgulho de todas as minhas lembranças ingênuas, mas tenho consciência de que foi a minha fragilidade cansada que me transformou numa pessoa irônica...rsrsrs...ok, as vezes.
Não presumo resgatar nada, afinal,tempo não se recupera e tampouco sentimentos sentidos. Vivemos o que podemos viver e no ato de cada intensidade.

Vivo a minha entrega e o que me resta é viver o agora e por tal não ouso tentar não ser.

Guardo pra mim somente aquilo que me constroi e todo dia é uma ocasião especial. Lembrarei, sorrirei, chorarei e pensarei sempre mais. Talvez com isso minha memória seja tão presente; ela me desperta a cada amanhecer com a sensação de prazer e cultivo diário.
Uma vez li um poema, não me recordo bem ao certo de quem era...mas existe um trecho que se encaixa bem agora..."Cada nota deixa em cada um de nós uma lembrança, mas é a melodia inteira que conta uma história". 

E quem foi que disse que temos que esquecer algo para ser feliz?. 

A memória é um sistema central que nos conduz, nos envia e nos projeta para a vida. Não devemos esquecer nada, nem ninguém e sim continuarmos compreendendo a extensão de tudo que nos cerca. Damos o significado aquilo que realmente importa e o que importa é algo permanente, independente de tempo e espaço.

...Pois as distâncias não existem para a recordação; e somente o esquecimento é um abismo que nem a voz nem o olho podem atravessar...
Gibran Khalil

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Razões e motivos




Há muitas razões para duvidar e uma só para crer.
Carlos drummond de Andrade

Somos cercados por nossos próprios questionamentos sobre quando e se estamos sozinhos mesmo no mundo; um mundo particular e repleto de palavras e ações contrárias por todos os lados. Queremos que nossa razão seja superior aos motivos alheios e
uma coisa nisso tudo é certa: se é a razão que faz o homem, é o sentimento que o conduz.

Então para que tantos motivos?
Fortes razões, geram fortes ações...

A extensão de nossos sentimentos ou mesmo uma lógica contínua de fatos não nos faz julgar uma própria razão por ela mesma existir.
São nossos pensamentos que nos afastam e isso é mais que um símbolo verdadeiro de fundamentos propositais.
A razão é a inteligência em exercício, mais que um ímpeto, ela é responsável pelo nosso julgamento interno; aqueles que guardamos junto aos motivos que cremos ser secundários a nossa vontade.
Será esse o absurdo da nossa mente?

Mas acho mesmo que o absurdo é a razão lúcida que constata os limites..

Nós sempre escutamos que tudo que chega...chega sempre por uma razão, uma estação ou uma vida inteira e quando você realmente percebe qual deles lhe alcançou; claramente você descobre o que fazer com cada um.
Almejamos sempre compreender os motivos, quando evidentemente são as razões que nos movem a ir a estes encontros da vida.

Por isso ainda que enlouqueçamos através das palavras, é preciso dize-las seja por qual razão ou motivo for; você é o responsável direto pelo que faz aos outros e a sí mesmo.
Afinal...a razão é composta de verdades que devem ser ditas e de verdades que devem ser caladas.
Mas será que a razão foge de tudo que nos pode causar dano?
Não..não mesmo, afinal: a verdade chega não só pela razão, mas também pelo coração.

Acredito que as grandes pessoas são aquelas com fome do mundo, um mundo onde a razão e a sensibilidade são como conchas unidas entre dois nós atados por  desconhecidos...está aí a verdade: amamos sem ao menos conhecer motivos e razões.
Sentimentos podem fazer parte de uma estação e mesmo assim, durar uma vida inteira.

Motivos tornam-se subjetivos assim como a razão esta para a vigia dos nossos pensamentos, pense por este lado...
De que adianta falar de motivos, às vezes basta um só, às vezes nem juntando todos...
Queremos o imediatismo das situações, a compreensão das palavras, a verdade nas ações e com certeza uma dose cheia de risadas seguidas por abraços apertados, queremos o conforto no silêncio dos nossos pensamentos, mas acima de tudo queremos encontrar respostas que preencham certos vazios que deixamos pelo caminho.

Não existe uma definição real sobre a diferença entre estes dois pólos existenciais em nossa vida, eles são claramente uma extensão de nossa aspiração em querer encontrar respostas para aquilo que de verdade já sabemos faz tempo.
Somos o que somos por uma infinita combinação de erros e acertos, altos e baixos e melhor ainda: gostos e sabores.

Por fim eu entendo por razão, mas através de um encadeamento de verdades que só pode produzir verdades e uma não pode ser contrária a outra.
Deixo aqui um texto lindo que diz muito sobre...

A Razão e a Paixão
Por Gibran Khalil

E a sacerdotisa adiantou-se novamente e disse: "Fala-nos da razão e da paixão". E ele respondeu, dizendo: Vossa alma é freqüentemente um campo de batalha onde vossa razão e vosso juízo combatem vossa paixão e vosso apetite. Pudesse eu ser o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia e a rivalidade entre vossos elementos em união e harmonia. Mas como poderei fazê-lo, a menos que vós mesmos sejais também pacificadores, mais ainda, enamorados de todos os vossos elementos?

Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante. Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis derivar ou permanecer imóveis no meio do mar. Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão, deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.

Que vossa alma eleve, portanto, vossa razão à altura de vossa paixão, para que ela possa cantar, E que dirija vossa paixão a par com vossa razão, para que ela possa viver numa ressurreição cotidiana e, como a fênix, renascer das próprias cinzas.

Gostaria que tratásseis vosso juízo e vosso apetite como trataríeis dois hóspedes amados em vossa casa. Certamente não honraríeis um hóspede mais do que o outro; pois quem procura tratar melhor um dos dois, perde o amor e a confiança de ambos.

Entre as colinas, quando vos sentardes à sombra fresca dos álamos brancos, compartilhando a paz e a serenidade dos campos e dos prados distantes, então que vosso coração diga em silêncio: "Deus repousa na razão". E quando bramir a tempestade, e o vento poderoso sacudir a floresta, e o trovão e o relâmpago proclamarem a majestade do céu, então que vosso coração diga com temor e respeito: "Deus age na paixão". E já que sois um sopro na esfera de Deus e uma folha na floresta de Deus, vós também devereis descansar na razão e agir na paixão.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Quem é você?


Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.
Confúcio

Quando éramos crianças, prestávamos atenção nas conversas dos mais velhos, histórias e experiências sobre sobre a vida que acontecia ao nosso redor e o quanto essa influência pesava sobre as decisões que juntos participávamos sendo uma família.
Percebíamos que mesmo com uma inocência presente, éramos capazes de enxergar algumas boas coincidências entre nós...através de nós e por nós.

Certo e o errado; e como era fácil ficarmos sentados enquanto ocupávamos nosso lugar no espaço.

E hoje buscamos uma exata compreensão sobre nossa jornada nesse espaço. Estamos saindo para o mundo em busca de respostas; nos organizamos em movimentos pela unificação de paz e ideais em comum, começamos a sair para o desconhecido de forma aberta e real.

Queremos enfrentar as divergências, mas ainda não aprendemos a enxergar as diferenças. Buscamos respostas, mas não compreendemos que de nada adianta o questionamento, se o que está errado é a nossa postura diante das perguntas que fazemos.
Tenho visto as pessoas tornarem-se freqüentemente neuróticas quando se contentam com respostas erradas ou inadequadas para as questões da vida; elas se atentam ao imediato e esquecem que lá na frente a colisão será muito maior.
Vive-se demais para o presente dando pouca importância ao senso comum do futuro.
É aquela velha frase de Veríssimo: "Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas".

Ainda nos assustamos com a diferença..entre as pessoas, de opiniões, de vontades e principalmente de princípios.

Há dois tipos de perguntas. Uma que precisa ser respondida e outra que precisa ser vivida, há perguntas práticas e perguntas existenciais.
Perguntas práticas se contextualizam no horizonte da objetividade, perguntas existenciais não provocam respostas imediatas. 

Viver é uma forma de respondê-las. É maravilhoso conviver com elas... 

O que torna uma pessoa especial é sua capacidade de viver intensamente por uma causa. São raras nos dias de hoje... vive-se muito pela metade ultimamente. 
Pessoas que se empenham na realização de seus sonhos não se conformam com a uniformidade, assumem o preço de serem diferentes e, geralmente, nadam contra a corrente. Isso requer coragem! 
Coragem de ser, não simplesmente de fazer. Ser é mais difícil do que fazer, afinal, é no ser que o fazer encontra o seu sustento. 

Faço a partir do que sou. Não o contrário. 

Eis a questão...
Agir é um desdobramento do meu ser. Eu sou, antes de fazer qualquer coisa. Há em mim uma realidade que me faz significar, mesmo que um dia eu fique totalmente incapacitada de realizar qualquer ação. Eu sou, mesmo na incapacidade dos movimentos e na impossibilidade dos gestos. 
Nem sempre podemos compreender tudo isso, por mais simples que seja. 
Vivemos na era da utilidade, onde tudo tem que estar conectado a uma função prática, onde o fazer prevalece sobre o ser. 

O que você faz na vida? Esta é a pergunta. 
O que você é na vida? Continua sendo a pergunta. Mas a primeira é mais fácil responder. Dizer o que se faz não dá tanto trabalho quanto dizer o que se é. O que se faz é simples de se dizer e as palavras nos ajudam, mas dizer o que se é, não é tão simples assim, e por vezes, as palavras nem sempre nos socorrem. 
Sou muito mais do que posso dizer sobre mim mesma...

Por isso não gostaria que este artigo terminasse com uma pergunta pragmática, dessas que lemos em todas os papos que costumamos freqüentar. 
Opto por uma pergunta que não espera por resposta imediata, tão pouco pelo desconcerto da fala. 

Só lhe peço que honestamente debruce-se sobre ela: Quem é você?

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Adoração




"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito".
Fernando Pessoa

De alguma forma, fomos feitos para seguir em frente mesmo sem a ideia de que a perfeição ainda está longe de ser compreendida e ao contrário do que pensamos, nos misturamos com o resto de sentimentos para viver nesse caos e contemplar essa total desarmonia que vivemos.

É fato que nós adoramos as coisas simples porque elas são o último refúgio de um espírito complexo. Eis aqui essa maior relatividade entre o amar e o adorar.

Amamos o belo e adoramos a sua intensidade, amamos os sinais e adoramos os seus incontáveis significados, nos entregamos ao amor e adoramos a sua capacidade de nos transformar. Essa balança sutil e extremamente presente que apreciamos desvendar através de palavras e gestos. Nos inclinamos aos significados, mas pendemos sempre para o lado racional de cada situação.
Ainda sim, com todos os prós e contras, adoramos as teorias. 

Nós precisamos viver nossa adoração através da ação. E com tudo isso, mesmo sob todas as possíveis e plausíveis explicações, nos perdemos...em nós mesmos.
Nos justificamos por vezes em que o silêncio deve imperar; adoramos o caos ao invés das soluções emergenciais. Não suportamos a rotina e o amor que lhe é empregado.

Cada parte de mim vai em direções diferentes e com isso meu rumo é apenas contemplar o inesperado. Se assim for, adoro tudo aquilo que me possibilita.
Todo esse intenso distinguir que no fim apenas deixamos passar; vivemos o momento por acreditar que nele residem todas as respostas.
Nos acostumamos demais ao que nos faz bem e deixamos seguir em frente com total e completa adoração; afinal nada é impossível para um coração repleto de vontade.

Uma vez me falaram que o adorar representa um sentimento completo, que nele reside a intensidade e a razão onde o amor perde as forças. Um poder absoluto e completo dentro de nós; temos por dentro um caminho longo a percorrer e talvez...talvez consigamos decifrar essa total e absoluta incoerência em sempre aceitar ao invés de nos entregarmos a esta preciosa percepção.

Adorar e não apenas amar o momento.

Buscamos aquilo que não existe explicação, a atenção de quem admiramos e a adoração de quem amamos. Fato!
Mas algo nisso tudo é completa e verdadeiramente esmagador: Adoração não é só musica: tem a ver com a nossa atitude diária.

Adoro as coisas simples, elas são o último refúgio de um expírito complexo...e completamente entregue para a vida.