terça-feira, 20 de novembro de 2012

A viagem dentro de nós




A viagem não acaba nunca, só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. 

Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. 

É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. 
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. 
É preciso recomeçar a viagem. 

Sempre.


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