quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mundo a parte do mundo



É mais ou menos assim:
Você imagina, crias expectativas, planeja, assume um real ponto de vista e executa.
Seguir em frente é uma alternativa..favorável aos ventos que sopram em infinitas direções e você por questões ímpares os acompanha ou permanece imóvel.
E como pronunciam os bons filósofos e suas sábias previsões: "Que bons ventos o levem".


Duvidar pra que?


Chegar do outro lado do mundo é uma dúvida em cada etapa do caminho.
Você sempre espera um caminho de ladrilhos dourados...um eterno sonho sem fim, onde você deposita muito mais que expectativas, você se coloca na posição de frente pra guerra - a sua com você mesmo.


Nada mais impulsivo possível. Completamente ambíguo mas totalmente real na chegada ao novo, diga-se de passagem, um mundo a parte do mundo.
33 anos e o tempo começou a passar mais devagar na costa dourada.


Como bom anfitrião fui recebida com 32 graus e um azul indescritível no céu.

Hey mate..assim segue o cumprimento oficial de boas vindas a nova conterrânea.
Lugar novo, novas amizades, novas descobertas, novas sensações e novos desafios.
Tudo junto ao mesmo tempo; e como as ações tomam proporções gigantescas, começo a prestar atenção a cada etapa desta incrível jornada que se tornou esse segundo episódio da minha vida.

Primeiras impressões - fadada a gratas surpresas.
Tudo, absolutamente tudo, dentro do esperado para o primeiro mês: confusão ao confundir a mão certa para dirigir, comércios fechados após as cinco da tarde, trânsito calmo dividindo espaço ordenado entre ciclistas e senhoras atravessando a rua...mas acima de tudo está a liberdade de ir e vir, pedalar ao pôr do sol, respirar ar puro, beber água da torneira, crianças felizes por toda parte, por toda cidade, em todos os cantos...respira-se esportes transpirando saúde.
Preocupação e medo tornaram-se palavras riscadas do meu cotidiano.

É perceptível a diferença cultural, gestos, olhares, comportamento social,risadas espontâneas. Não estou aqui para resgatar o país onde nasci, estou para agregar onde vivo. 
Todos nós carregamos um pouco do nosso passado; e eu só trouxe boas lembranças, as más deixei para trás no decorrer do caminho...e como foi longo o percurso até aqui.


Mas uma palavra ainda é universal e completamente presente: SAUDADE.
A saudade tomou uma proporção com contextos bem reais.
Relevância máxima para um simples alô do outro lado do mundo.


Estou bem, com o coração leve e boas expectativas do que vem pela frente. Enxergo um futuro cheio de momentos ímpares'; afinal é para isso que eu vim para esta vida.

Hoje posso dizer que estou vivendo já.
O ontem passou e o amanhã ainda é muito cedo.

Planejei muito para chegar até aqui, agora quero um pouco de descanso, pelo menos até
dia 17, data esta do início do meu curso.
Por hora: ForXXXX para brindar este novo recomeço.


Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector.

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