terça-feira, 17 de abril de 2012

Borboletas na janela





O tempo segue e continuamos a esperar um sinal, um tênue lampejo claro ao amanhecer. 


Abrimos nossa mente em busca de um pouco de tranquilidade, uma vida mais simples ou até mesmo caminhar um pouco mais para não permanecermos calados diante da nossa própria incredulidade perante a vida...ou através dela. 


Trocamos passos através da solidão, escuto o silêncio como uma forma de contemplar pensamentos guardados, abraço diariamente minha incrédula vontade de compreender que a vida é um simples instante. 
E como é grande a vontade de ficar parada, ou então voltar no tempo e começar a caminhar novamente, seguir novos rumos, calmamente e prazerosamente ao lado daqueles que não estão mais ao nosso redor. 


Existem instantes em que nos permitimos cultivar a melancolia, recordar velhos hábitos, despencarmos diante das coinscidências da vida, mas é assim mesmo, a vida nos prega peças para não despencarmos como uma borboleta sem asa...é preciso caminhar, voar se possível. Mas assim é a vida e sua finita descrição, vivemos esperando mais borboletas na janela. 


Sim, muitas...coloridas, indicando mudanças e contemplativos momentos que ainda estão por vir. Ainda existirão mais choros e risadas..chegadas e partidas. Vocé deve abraçar a vida, pois assim como fazem as borboletas, a vida pede passagem e não estaciona diante de novas possibilidades. 
Quando nos sentimos estagnados..incapazes de nos movimentar, lembremos destas criaturas incríveis...a evolução entra em cena e lhes dá a força necessária para iniciar um novo ciclo. Se preparam para mudanças e progressos, saem de seus casulos para se deparar com um novo mundo em sua nova forma confiando em suas frágeis asas em voo ainda desconhecido. 


Compreender, ser...descrições e verbos não se misturam. Ainda existe muito chão pela frente, a estrada é longa e o tempo é curto...segundos preciosos. Outro tempo começou, para mim é o agora, o ontem tornou-se apenas uma passagem, intensa...mente. 
Para cada borboleta, cada trajeto....eu vou continuar em frente: Auto-transformação, clareza mental, liberdade, renascimento. 


Assim se faz. 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A hora




Vivemos sabotando nosso precioso tempo...

Deixamos de viver por conta da hora que insiste em caminhar devagar, talvez menos do que gostaríamos. Não sabemos colocar a hora no lugar em que ela deve permanecer; sufocamos nossas expectativas, ansiamos em apenas querer ir além e esquecemos que o tempo tem um sentido de existir...ser sempre o senhor da razão.

A hora passa no instante em que deixamos de pensar nela...

Meu pai sempre dizia que o tempo é uma eterna contra mão e ele de fato estava certo sobre esse peso, que o carregamos mas desejamos apenas flutuar sobre.
Essa vontade sublime em desconsiderar segundos, abraçar a calmaria e sentar sobre o frescor do dia.


Brincamos com essa impetuosidade chamada previsão.
Calculamos nosso time, corremos, passamos por cima...sufocamos nossos limites, mas no fundo sempre arrumamos uma desculpa, nem que for para o próprio julgamento.


Temos de ganhar, ou pelo menos acelerar.
Esquecemos a importância que é viver o momento, ter como aliado as horas e preciosos minutos do dia. Coloquemos os conhecimentos em uma balança, vejamos o quanto aprendemos e o quanto fechamos os olhos; para qual lado tal balança penderá?


A calmaria é uma porta aberta para o conhecimento interno; compreendamos o porque da hora passar tão lentamente; essa longa e proveitosa oportunidade de crescimento.
Falam demais em aproveitar a vida por ela ser curta demais...então se torna ambígua essa teoria de acelerarmos tudo a nossa volta, concorda?


Queremos demais ou tudo ao mesmo tempo.


" É importante perceber que o despertar da vida depende de você. libere seu coração e deixe que ele construa seu destino. A felicidade é uma experiência ligada a sabedoria.
Sua vida muda quando você muda.
Deixe as pessoas do passado no passado, a melhor cura do baixo-astral é abrir os olhos para o mundo. Enquanto você acreditar, o medo não vai se instalar.
Para viver intensamente é necessário conviver com os riscos. Por isso acredite sempre, por pior que seja a situação. Não deixe a dúvida tomar conta de você. 


Nosso maior adversário esta dentro de nós.
É preciso entrar para valer nos projetos da vida, até que o rio se transforme em mar.
Alguém já disse que visão é a arte de ver o invisível. Nós é que transformamos a semente em árvore para poder colher os frutos.


A primeira ponte é o sentido da vida, a segunda ponte é a do silêncio, a terceira ponte é a da simplicidade, a quarta é a do sentimento.
Você é a pessoa que escolhe ser.
Um dos segredos é saber criar condições para que a vida dependa de nós. 


Viver é a arte de realizar sonhos."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mundo a parte do mundo



É mais ou menos assim:
Você imagina, crias expectativas, planeja, assume um real ponto de vista e executa.
Seguir em frente é uma alternativa..favorável aos ventos que sopram em infinitas direções e você por questões ímpares os acompanha ou permanece imóvel.
E como pronunciam os bons filósofos e suas sábias previsões: "Que bons ventos o levem".


Duvidar pra que?


Chegar do outro lado do mundo é uma dúvida em cada etapa do caminho.
Você sempre espera um caminho de ladrilhos dourados...um eterno sonho sem fim, onde você deposita muito mais que expectativas, você se coloca na posição de frente pra guerra - a sua com você mesmo.


Nada mais impulsivo possível. Completamente ambíguo mas totalmente real na chegada ao novo, diga-se de passagem, um mundo a parte do mundo.
33 anos e o tempo começou a passar mais devagar na costa dourada.


Como bom anfitrião fui recebida com 32 graus e um azul indescritível no céu.

Hey mate..assim segue o cumprimento oficial de boas vindas a nova conterrânea.
Lugar novo, novas amizades, novas descobertas, novas sensações e novos desafios.
Tudo junto ao mesmo tempo; e como as ações tomam proporções gigantescas, começo a prestar atenção a cada etapa desta incrível jornada que se tornou esse segundo episódio da minha vida.

Primeiras impressões - fadada a gratas surpresas.
Tudo, absolutamente tudo, dentro do esperado para o primeiro mês: confusão ao confundir a mão certa para dirigir, comércios fechados após as cinco da tarde, trânsito calmo dividindo espaço ordenado entre ciclistas e senhoras atravessando a rua...mas acima de tudo está a liberdade de ir e vir, pedalar ao pôr do sol, respirar ar puro, beber água da torneira, crianças felizes por toda parte, por toda cidade, em todos os cantos...respira-se esportes transpirando saúde.
Preocupação e medo tornaram-se palavras riscadas do meu cotidiano.

É perceptível a diferença cultural, gestos, olhares, comportamento social,risadas espontâneas. Não estou aqui para resgatar o país onde nasci, estou para agregar onde vivo. 
Todos nós carregamos um pouco do nosso passado; e eu só trouxe boas lembranças, as más deixei para trás no decorrer do caminho...e como foi longo o percurso até aqui.


Mas uma palavra ainda é universal e completamente presente: SAUDADE.
A saudade tomou uma proporção com contextos bem reais.
Relevância máxima para um simples alô do outro lado do mundo.


Estou bem, com o coração leve e boas expectativas do que vem pela frente. Enxergo um futuro cheio de momentos ímpares'; afinal é para isso que eu vim para esta vida.

Hoje posso dizer que estou vivendo já.
O ontem passou e o amanhã ainda é muito cedo.

Planejei muito para chegar até aqui, agora quero um pouco de descanso, pelo menos até
dia 17, data esta do início do meu curso.
Por hora: ForXXXX para brindar este novo recomeço.


Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector.