sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Braços abertos



Concordemos...
Devia ser proibido possuirmos egoísmo com a vida.
Disparamos ações e conduzimos erros...resgatamos causas contrárias a nossa vontade, uma persistência chamada "olha eu aqui".
Não é certo abraçarmos o mundo, nem tão pouco saltar para a frente com o peso do mundo nas costas. Assim viveremos curvados, quando ficar de frente é mais que um requisito; peça chave para qualquer entendimento pessoal.
Ganhamos aqui...perdemos ali, assim é a vida quando caminhamos de braços abertos.


Deixo aqui, para esta semana, um poema que amo de Elizabeth Bishop chamado:

Uma arte
A arte de perder não é nenhum mistério, tantas coisas contém em si o acidente de perde-las, que perder não é nada sério.
Aceite austero a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio da mamãe. Ah! e nem quero lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. um império que era meu, dois rios e mais um continente.
tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Os incríveis olhos claros




"Procure sempre a tua felicidade", assim dizia meu pai.
Tua, minha, nossa...um pedaço de tudo um pouco.
Essa profundidade de sentimentos e desejos deu origem a um homem que caminhou, enxergou o mundo e deixou um pouco do muito, intenso...um pluralista conchence.
Saiu para o mundo ainda pequeno, voltou maior que seu próprio coração.
Hoje renasço através destes incríveis olhos claros...
Escrever ouvindo palavras, escutar olhando fixo...um ponto infinito de pausas.

Um olhar, mais confortável impossível.
Compenetração era de fato a palavra para aquele que sempre soube transmitir sem omitir a vida.

Uma catarze ambulante sem definições absolutas e restritivas...

Meu pai sempre foi uma presença capaz de transformar as pessoas, esse talento nato de se expressar através da palavra. Tocar, foi mais que um caminho, uma verdade enraizada somada a letras e cifras.

Eu nunca imaginei como seria a vida sem essa referência física...presente; acreditava que o que permanece são Inúmeras peças de um gigantesco quebra cabeças, uma ordem unilateral que nos faz seguir em frente, por vezes olhando para frente, por inúmeras perdida sem direcionarmos nossa própria cabeça.
Santa inocência, erroneo momento.

É fácil permanecer no estado letárgico e adormecer a existência / essência.
Joguei com minha expectativas, busco tranqüilidade.

Existir é algo relativo, estar presente é verdade incondicional.
Assim sempre foi meu pai...o abraço, o beijo, a palavra.
O intransponível vinculo transformou-se em saudosa conversa. Choro por não ter mais toda aquela essência..uma chama de otimismo crédulo.
Convicções a parte, hoje o meu céu tornou-se um livro aberto com infinitas linhas.

O que quero passar com tudo isso é a importância de termos uma relação verdadeira com nossas raízes. Agradecer!
Seguir, continuar..."Na vida o homem não pode deixar de amar e trabalhar nunca"..
Eram mesmo as suas palavras e foi-se assim até a sua partida.
Esses incríveis olhos claros, quanta saudade, quanta distância.
O que ficam são as histórias, os momentos preciosos e a certeza do reencontro.


Agradeço todos os dias por ter sido uma filha tão desejada...amada.
Sem essa segurança e esse apoio, hoje seria apenas uma pessoa comum e não um ser humano com tamanha vontade de continuar feliz.
Honra, palavra de ordem.

Puro gesso!

Ok pai, sem trocadilhos em sua despedida: Por hoje é só