terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Pesos e medidas

Cortar o tempo...

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente...
Carlos Drummond de Andrade

Chegamos ao final do ano, agregamos valor ao que nos parecia inusitado, superamos expectativas e sem dúvida crescemos com nossas dúvidas.
Aprendemos na maioria das vezes com o que menos esperamos..a dor e a esperança nos faz abrir / experimentar caminhos singulares em nossas vidas.

Clareamos situações típicas futuras do que propriamente diríamos do ano anterior..afinal plantamos fantasias ímpares sobre o ano em que estamos.
E como vamos além.
Esperamos mais do que perseguimos. Será esta a verdade escondida por debaixo dos lençóis?
Quem sabe, ainda temos muito o que pesar antes de fecharmos os olhos para sempre.

E o para sempre parece tão distante, que eu mesma tento esquecer o sabor da memória..adormeço com minha saudosa visão.

Fecho o ano com a sensação de ter desejado mais as pessoas, de ter dito mais vezes o que deveria de fato ter dito, rir de piadas e me doado aos verdadeiros e intensos abraços.
Por isso que a sábia frase se faz presente: todo ano é único em seu ímpar entardecer.
Mas estamos na vida para aprender e como diria meu pai: Aprendemos com amor ou pela dor.
E assim se fez.

Este foi um ano de perdas e ganhos onde pesos e medidas se contrastaram.
E como todo momento de lucidez...o dia amanheceu mais do que pude contar tardes e noites.
Não me arrependo de ter cometido erros, mas por não ter tido a chance de ter acertado melhor, não existe tristeza, apenas a garantia de seguir em frente.
Certamente meu pai...certamente.

Hoje é o dia em que fecho o ano aqui neste espaço de aprendizado contínuo e recíproco, desejando que você faça sua vida valer a pena, empregando esforços e objetivos que o façam saltar alto, vibrar e ter a certeza de que cada ano é único.
Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e fazer laços de amizades, ter tido a certeza de que amigos verdadeiros são eternos e acima de tudo ter comprovado que o tempo sem dúvida é o melhor remédio para a alma.

Obrigada, obrigada...obrigada.
Até 2012.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Aquarela


A vida é mesmo uma imagem que projetamos.
Nós bordamos palavras, separamos cores...aquarelamos as brechas e assim desenhamos os céus e suas inconstantes estrelas.
Mas é assim, estamos sempre tentando deixar a vida um pouco menos racional e com certeza mais lúdica.
Passam-se os dias, reservamos as cores escuras que insistem em manchar nossas imagens e apenas adormecemos em sonhos coloridos.

Imaginamos demais?, pode ser.
Quantas vezes colorimos nossas visões apenas para ter como certeza uma infinita aquarela de possibilidades.

Mas o fato incontestável é que desejamos viver a vida com um pouco mais de brilho, uma intensa e dobrada variedade de tonalidades, uns mais outros menos, mas ainda com um desejo em comum: ser feliz independente da cor que possuímos.

As cores podem representar a imaginação da alma, um desejo reprimido do nosso ser, quem sabe?, mas existe um ponto muito escuro nisso tudo: sofremos por não darmos vazão as cores que insistem em nos rodear.
Colorir implica em conhecer.

Faça parte viva de sua alma, desperte seus sentidos, enfrente seus desejos de frente e não desista de seguir em frente com um toque a mais de cor em tudo que for realizar / encontre cores, pinte seu caminho...mas reserve um espaço em branco, existem boas chances de você se surpreender com as diferenças sutis que surgirão no percurso.

Os espaços em branco simbolizam a pureza, a inocência e a credulidade em esperar mais de nós mesmos e dos outros...sim, por que não?
A surpresa em não definirmos padrões nos permite enxergar muito mais longe.

Se semearmos um pensamento, colheremos um ato; se semearmos um ato, colheremos um hábito; se semearmos um hábito, colheremos caráter; se semearmos caráter, colheremos um destino.