terça-feira, 23 de agosto de 2011

Chegadas e partidas


Já disse o poeta Fernando Pessoa: Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Então olhe para trás e me responda:
O que você ve?...

Chegamos e partimos a todo momento, caminhamos em diferentes rotas, percorremos destinos opostos, movimentamos corpo e mente, olhos e sentidos.
Então por que será que vivemos tentando nos firmar, quando viemos ao mundo para seguir em frente?

Se fosse simples ninguém o faria, o compreenderia, muito menos contestaria essa existência cheia de questionamentos relevantes.
É imprudência e desperdício... falhamos o tempo todo tentando acertar e mesmo assim insistimos no erro de maneira brutal, apenas pela indulgência e negligência de querermos mais.

Gostamos de ficar de frente com o risco, nosso sangue ferve através dos atos que deixamos cobertos pelas máscaras adquiridas no caminho.
Apreciamos o desconhecido e temos dentro de nós esse instinto puro e simples.
Somos uma imensa maioria dentro de nós...cada um com sua farta e intensa colaboração.

Eu fatalmente enlouqueceria se perdesse certos amigos. A alguns deles que não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida, mas confesso ser delicioso saber e sentir que eu os adoro, embora não declare ou os procure sempre.

É apenas um passo entre ir ou ficar, cada um com seu peso e medida extremo, mas uma coisa nisso tudo é verdade: o que nos prende são os laços que construímos e ninguém, por mais que esteja convicto de seu próprio sentido, esta disposto a esquecer o que construiu lá atrás...queremos sempre agregar e nunca perder.

Mas há aqueles que acreditam que boas recordações alimentam a alma...
Desta forma, subentende-se que partir é algo bem subjetivo.

Compreendamos o fato que as pessoas não se precisam, elas se completam...não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e a vida. Com o tempo constatamos que para ser feliz com outra pessoa, é necessário primeiramente não depender dela.

Alimentemos o espírito, pois o corpo é apenas um quadro que pintamos, mas a moldura da alma tem um peso muito mais significativo para quem permanece...afinal: vão-se os anéis e ficam os dedos.
Assim deixamos guardado a doce lembrança daqueles que partem antes de nós.

Precisamos nos dedicar mais, cultivarmos nosso bom senso comum e acima de tudo saber dizer adeus como quem abre mão do próprio amor puro e simples.

"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"
Fernando Pessoa

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