terça-feira, 24 de maio de 2011

Dose certa



A medida é o extremo, isso é o provável mas impossível de aceitar.
Nos submetemos diversas e intensas vezes, mas seja como for, a dose certa surge quando não nos programamos.
O que acontece é que nos jogamos por impulso, arremessamos nossas vontades e nem sempre estamos preparados para resgatar as respostas que caem no percurso.
Desta forma compacta..andamos de frente, entre as arestas e brechas que o caminho nos permite enxergar.

Por mais vago e difícil que possa parecer, precisamos compreender nossa relação com o tempo e o peso que ele acomoda sobre nossos ombros, cansados...tremendamente insatisfeitos. Existe um paralelo que descreve o tempo como um breve momento de relevância oportuna, ou: nada mais do que os minutos que dedicamos a nossa involuntária vontade de seguir em frente.
Algo extremamente volátil, ambíguo para alguns; o certo é que cada um sabe a dor de ser o que é, justamente por não conseguir ser o que gostaria de ser: livre.

O que é o muito?, se não o pouco lentamente...

Tempo é uma escolha e; encontrar a dose certa é sem dúvida a maior e árdua tarefa que precisamos aprender.
Mas somos a insistência, a imprudência galopante...escutamos nossa consciência quando nos inclinamos ao vazio. E creia: nada mais caro do que compreender o tempo quando ele nos é negado.

A negligência é a resposta por vivermos correndo.
Para que a pressa exacerbada, se caminhar ainda é a maior contemplação?
Precisamos parar e refletir sobre nossas decisões; o caminho é longo e as escolhas que fazemos hoje refletem na erosão do amanhã.

Existe uma sutil diferença, aquela que passa desapercebida para os que correm contra o tempo e que verdadeiramente reina sobre os que procuram compreender o simples ato de brecar: continuar seguindo sem acelerar o passo.

Ainda vale a pena sentir nossa própria velocidade de ser...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Esperar


Ainda é um fato complicado; essa tal de forma exacerbada de esperar.
Esperamos por tudo, de formas e contextos tão complexos...com inúmeras indagações.
Começo então por onde menos compreendo: aceitar.
Jogamos para frente a única maneira de sobreviver: com calma.

Não aceitamos, apenas nos inclinamos para o lado mais fácil, cremos no peso e medida mais do que em fatos e concepções reais.
Anda desejamos a pressa como fonte única de respostas.
Não creditamos a paciência sua devida forma, sua devida maneira de se apresentar.
Nos colocamos demais na frente, de frente talvez.
Por que é tão complicado lidar com a espera?

Certamente se tivéssemos essa resposta, não estaríamos todos nesse ciclo intenso de ansiedade. Um veneno que bebemos lentamente, dolorosamente, por exclusiva e fatal forma de viver. Escolhemos, optamos...da-se o nome que bem queira.
É difícil lidar...conviver com nossos tormentos. Cobramos dos outros atitudes que devemos ter com nós mesmos; compreender a espera é um começo.
Faz parte da vida, faz parte de nosso tempo.

Acredito que a calma é um processo lento que adquirimos no decorrer de nossa história, uma pausa lenta e longa que realizamos ao começar a enxergar a vida por cima.
Nos importamos aos instantes de prazer, aos segundos de calmaria que nos arrebata em princípios. A espera nada mais é que uma vírgula entre o espaço/tempo, certamente uma ansiedade cruel que faz parte da nossa essência efêmera.
Mundo moderno?...creio no visceral limiar da preguiça acumulada em deixar acontecer.
Complicado isso, mas o estúpido ainda crê em tempos modernos e esquece de continuar respirando.

Nos sufocamos com nossas próprias incertezas.

Sentar e esperar é um fato aclamado, então quando este passar a ser um sonho volte e recomece: Na vida temos apenas um ciclo: o contínuo.
O fato é que quanto mais o tempo passa, mais respostas vamos obtendo...afinal, cada coisa a seu tempo.
Sabemos que o presente é a força mais centrífuga que existe, ela nos arremessa para frente, independente de onde queremos estacionar.
Não espere sinais, procure interação. Talvez more aí uma possível compreensão sobre o seu tempo e sua verdade pessoal sobre a espera.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A grandeza do não


É apenas o oposto, compreendamos os fatos.
Vontades e verdades sejam ditas e uma hora o bom senso deve prevalecer.
Dizer não é difícil e isso equaliza em um aprendizado relevante, uma leve fatia da população que de fato exerce seu direito exclusivo-negativo de viver.
Evocar o não...sim!

Por tras da teoria, carregamos o sentido literal da palavra incompreensão.
Um fato que invariavelmente se mistura ao contexto. E onde estamos nisso tudo?
Provavelmente respondendo com uma certa vergonha em admitir nosso próprio egoísmo fundado.
Dizer não é tão insustentável...

E nessa roda acelerada permanecemos paralisados diante do caos em admitir nossa verdade de seguir em frente mesmo com todos os impulsos voltados para frente, como uma flecha que disparamos ao léo.
Queremos tanto ficar em ordem com nossa consciência que esquecemos de interagir com nossa vontade, deixamos o não como um elo de ligação muito mais forte que nossa intensa presença.
Nos acostumamos demais a permanecer sorrindo diante de tudo e de todos, um erro meramente intencional.

Onde estão nossos conceitos e decisões?.
Diversas vezes nos deparamos com pessoas indecisas, problemáticas que concordam com tudo, apenas por terem sido criado com o sim.
Por mais controverso que seja, dizer não é uma parte vital das relações de amor e contribui desenvolvendo a autonomia e a maturidade.

Nós possuímos o direito de discutir, questionar e decidir e; por que não de dizer não?.
É mais fácil dizer sim do que bancar um não sem retorno, mas acredite repensar e mudar vale mesmo a pena.
A vida não nos pede nada, por isso doar uma verdade é o bem mais precioso que você pode fazer por si, somos um ser único e isso é muito mais do que podemos admitir em favor próprio.
Doação não é obrigação.