sábado, 29 de janeiro de 2011

Pegadas


Quem conhece a sua ignorância revela a mais profunda sapiência.
Quem ignora a sua ignorância vive na mais profunda ilusão.
(Lao-Tsé)

Andamos muito, nos apressamos demais.

A certeza de que não possuimos controle da vida se manifesta de diferentes formas e contextos; e quando frear nos evidencia sermos insconstantemente impossibilitados... mais humanos do que máquinas aceleradas, brecamos diante do tempo, frente ao vazio que atravessamos correndo.

Passos largos ou até mesmo pegadas irregulares.

Nos comportamos como loucos, olhamos para todos as direções buscando alternativas,estapafúrdias e infundadas razões que nos mantenha no caminho, uma rota ocasionalmente confortável. Seguimos o restrito sinal verde, aquele que colocamos na rota superficial de nossas vidas.

Andar descalço nem pensar?, escolhas pessoais.
Pisamos com força, dominamos o território que construímos ao nosso redor, subimos muros diante de emoções, desperdiçamos a razão simplesmente por julga-la dona de nossa visão.
Continuar desviando ainda é a melhor maneira de cegarmos as oportunidades que encontramos no caminho.

Porém, tudo tem um limite de ser.
E quando olhamos para frente e visualizamos a análise que fazemos de nosso comportamento, tão estupidamente calculado é que compreendemos a necessidade de sermos menos analíticos com os nossos sentimentos e condutas diante da vida, ela nos arrebata quando estamos um instante vulnerável...nos breca e nos faz contar as pegadas que construímos e aquelas que subitamente desviamos de nossa direção.

Começa-se então a saborear os riscos, enxergar entre as frestas que lutamos em cegar; afinal a saga de um homem encontra-se justamente nisso: contemplar.
Se tudo possui um movimento central, constatamos que uma hora voltamos ao centro de tudo e reiniciamos nossos passos de maneira mais leve, o ciclo volta a girar de maneira mais compassada, não pisamos, flutuamos.
E assim reinventamos o caminho, transformamos experiências em uma renovada jornada:
Andar e correr se tornam sabores impares para a vida, um toque sutil, mas incrivelmente arrebatador: transformar marcas em passos e passos em pegadas.

Com carinho para aquele que soube reinventar sua história e entre as frestas se reinventou para uma nova rota.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O mundo dos mudos


Limitemos os sonhos...eles rondam demais a realidade.
Se o mundo é paralelo a nossas escolhas, precisamos saber conduzir nossas opções e seguir em frente, seja para qual direção for.

Paramos demais frente a inúmeras vontades, queremos... quando o devemos deve ser de fato a única vertente a que permanecemos invariavelmente jogados.
Fala-se muito em administrar tempo e pouco em negociar com ele....

Calar-se nunca foi uma saída para as mentes viajantes, mas assim como as palavras tem poder, as atitudes tem peso. Pois então cria-se um mundo paralelo, aquele em que os mudos conseguem gritar para todos os cantos. Lá está o bom e velho dejavu, aquele que invariavelmente surge nos momentos de desapego.

Toda essa sutileza que nos faz perceber, é a mesma que nos ensina quando preencher se torna a única saída pertinente que encontramos por entre os caminhos que traçamos.
Somos um monte de soluções esquecidas, tempo é mesmo uma raridade nos tempos de hoje.
Nada mais importa se não o eu guardado a sete chaves.
E quando pensamos que nada mais poderia dar errado, eis que surgem as surpresas e seus incontestáveis cenários.

Aprender, compreender, aceitar .
Verbos inconsistentes, porém uniformes. Essa maioria, mesmo que em uma imensidão vazia, conduz, impulsiona, até mesmo imerge frente a rotina diária que devemos permanecer conectados. Lá se vai a chance, permanece o bom senso.
Real...inclino-me a acreditar.

"A minha consciência tem milhares de vozes e cada voz traz-me milhares de histórias;e cada história sou o vilão condenado".
Willian Shakespeare

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cedo ou tarde

"Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente"

Você poderia me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valoriza o seu dia, entenda que se morre diariamente?
Nisso, pois falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado.
Qualquer tempo que já passou pertence a morte.

Princípio básico: Enxergar a vida de frente.

Prestar atenção aos detalhes que deixamos passar e aceitar que nem sempre somos tão suficientes parece uma tarefa fácil; mas nem sempre foi tão coerente assim.
Essa insuficiência que carregamos e colocamos como diretriz, não nos permite avançar de maneira significativa...formas e contextos não se misturam.
Então como será que todas essas exclamações que levantamos todos os dias nos inclinan a uma vida de "certezas abslutas"?, pois é, ledo engano.

A natureza nos deu posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez que por coisas insignificantes, as quais certamente se podem recuperar, concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando na verdade, ele é o único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolve-lo de quem tirou.
No entanto, a mim ocorre que a maioria está na eterna dúvida não por culpa própria: todos estão prontos a desculpar, ninguém a dar a mão.

Certas coisas só se mostram para quem está presente.
É importante que saibamos que a natureza nos criou dóceis e nos deu uma razão imperfeita, mas capaz de aperfeiçoar. Essa imperfeição nos impulsiona em procurarmos sermos menos egoístas com nossos sentimentos e palavras.

Uma coisa é certa: cedo ou tarde aprendemos significativas lições, aquelas que certamente levaremos para frente e nos conduzirá pelo resto de nossas vidas: Não existe verdade absoluta, não existem leis enfáticas, não existe limite de tempo e muito menos palavras de ordem. O que existe é a possibilidade, esta que invariavelmente igualamos em nome da tão expressiva e única vida.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Esperar...esperança

Esperança e verdade caminham juntas.

Hoje admirarei pensamentos e ilusionarei desejos, arrisco dizer preces.
A esperança não é um sonho, mas uma vertente significativa e inclinada para mudanças, de concretização somatizada. Ela existe e é real, independe de crenças e religiões.
Somos a verdade em forma de gente.

Talvez esperança e felicidade caminhem juntas devido a diversos fatores que as unem, um renovador e inspirador acaso formado por sonhos e vontades.
O importante é renovarmos nossos valores e compreendermos que somos uma espécie realizadora, inspiradora e imediatista. Não somos nem de longe um décimo do que nosso ser nos impulsiona.

O que nos falta é justamente isso: Querer.
Toda essa delicada sutileza chamada energia, que muitas vezes confundimos com limites, seja porcausa do abismo que criamos, ou de intencionais acasos que a vida nos apresenta, é sem dúvida o maior causador de discórdias a que nos inclinamos: a esperança é um véu que se instala em nossos olhos no momento em que mais nos desapegamos da vida, ou de todo sentido que ela representa e de verdade se apresenta.

Existe um limiar muito curto entre a percepção e a realidade; nada importa mais do que querer estar presente, sentir a vida, saborear a felicidade, realizar.
Talvez não consigamos de fato compreender toda a extensão ao qual a esperança se apresenta; os sinais podem mesmo ser curtos ou intencionalmente confusos. Nem sempre sabemos distinguir as verdades ou infelizmente as penas a que somos tão erroneamente expostos.
Será a esperança uma chance, ou de fato um sinal?

Uma chama, uma energia, talvez até mesmo um pedaço de calor que tanto nos aquece.

"Até onde conseguimos discernir, o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão da mera existência."
Carl Jung

sábado, 1 de janeiro de 2011

Attraversiamo

 
Pertenço a todos os lugares, mas é aqui onde quero estar.
Um novo tempo, um novo ano, novas experiências.
Estamos em todos os lugares, pertencemos a um espaço/tempo muito curto, de forma que: ou nos encaixamos no sistema ou saímos para explorar uma nova perspectiva pessoal....e cá estou, disposta a compreender um pouco mais sobre todo este universo particular.
Acontecimentos...assim pouso um pouco a alma, aquieto o espírito, descanso a mente. Sou mesmo um ser extremamente ambivalente.
Essa urgência que tanto me faz querer saber mais sobre tudo, hoje de certa forma, tornou-me menos apreensiva; compreendo que o tempo ensina, mas também cobra, fazendo com que eu não apenas saia do estado de conforto, mas deixando-me aberta a novas paisagens: inspiradoramente bem vinda.
Essa indecisão sobre onde devo estar, se devo ir ou verdadeiramente ficar, fez com que abrisse um canal de possibilidades muito grande, um insight; ouso mesmo dizer: encontro.
Não me defino, ainda não...sou talvez uma entre tantos olhares que pairam no ar; arrebatam frentes, incloncluem verdades: uma entre mil?, Impetuosidade nunca foi uma opção, latente... ela sempre esteve ao meu lado, em constante estado de alerta, impaciente...me conduzindo, ou pelo menos colocando-me em diferentes direções.
Como um delicado convite, sugiro que você deixe suas pegadas no mundo, assim como eu: em uma busca permanente.
A vida não para, ela segue um longo curso, lento e contínuo...então por que devemos estacionar nossas vontades, encostar desejos, ou ainda abrir mão de nos perdermos?, se a graça é exatamente essa:
Continuar atravessando...