terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Pesos e medidas

Cortar o tempo...

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente...
Carlos Drummond de Andrade

Chegamos ao final do ano, agregamos valor ao que nos parecia inusitado, superamos expectativas e sem dúvida crescemos com nossas dúvidas.
Aprendemos na maioria das vezes com o que menos esperamos..a dor e a esperança nos faz abrir / experimentar caminhos singulares em nossas vidas.

Clareamos situações típicas futuras do que propriamente diríamos do ano anterior..afinal plantamos fantasias ímpares sobre o ano em que estamos.
E como vamos além.
Esperamos mais do que perseguimos. Será esta a verdade escondida por debaixo dos lençóis?
Quem sabe, ainda temos muito o que pesar antes de fecharmos os olhos para sempre.

E o para sempre parece tão distante, que eu mesma tento esquecer o sabor da memória..adormeço com minha saudosa visão.

Fecho o ano com a sensação de ter desejado mais as pessoas, de ter dito mais vezes o que deveria de fato ter dito, rir de piadas e me doado aos verdadeiros e intensos abraços.
Por isso que a sábia frase se faz presente: todo ano é único em seu ímpar entardecer.
Mas estamos na vida para aprender e como diria meu pai: Aprendemos com amor ou pela dor.
E assim se fez.

Este foi um ano de perdas e ganhos onde pesos e medidas se contrastaram.
E como todo momento de lucidez...o dia amanheceu mais do que pude contar tardes e noites.
Não me arrependo de ter cometido erros, mas por não ter tido a chance de ter acertado melhor, não existe tristeza, apenas a garantia de seguir em frente.
Certamente meu pai...certamente.

Hoje é o dia em que fecho o ano aqui neste espaço de aprendizado contínuo e recíproco, desejando que você faça sua vida valer a pena, empregando esforços e objetivos que o façam saltar alto, vibrar e ter a certeza de que cada ano é único.
Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e fazer laços de amizades, ter tido a certeza de que amigos verdadeiros são eternos e acima de tudo ter comprovado que o tempo sem dúvida é o melhor remédio para a alma.

Obrigada, obrigada...obrigada.
Até 2012.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Aquarela


A vida é mesmo uma imagem que projetamos.
Nós bordamos palavras, separamos cores...aquarelamos as brechas e assim desenhamos os céus e suas inconstantes estrelas.
Mas é assim, estamos sempre tentando deixar a vida um pouco menos racional e com certeza mais lúdica.
Passam-se os dias, reservamos as cores escuras que insistem em manchar nossas imagens e apenas adormecemos em sonhos coloridos.

Imaginamos demais?, pode ser.
Quantas vezes colorimos nossas visões apenas para ter como certeza uma infinita aquarela de possibilidades.

Mas o fato incontestável é que desejamos viver a vida com um pouco mais de brilho, uma intensa e dobrada variedade de tonalidades, uns mais outros menos, mas ainda com um desejo em comum: ser feliz independente da cor que possuímos.

As cores podem representar a imaginação da alma, um desejo reprimido do nosso ser, quem sabe?, mas existe um ponto muito escuro nisso tudo: sofremos por não darmos vazão as cores que insistem em nos rodear.
Colorir implica em conhecer.

Faça parte viva de sua alma, desperte seus sentidos, enfrente seus desejos de frente e não desista de seguir em frente com um toque a mais de cor em tudo que for realizar / encontre cores, pinte seu caminho...mas reserve um espaço em branco, existem boas chances de você se surpreender com as diferenças sutis que surgirão no percurso.

Os espaços em branco simbolizam a pureza, a inocência e a credulidade em esperar mais de nós mesmos e dos outros...sim, por que não?
A surpresa em não definirmos padrões nos permite enxergar muito mais longe.

Se semearmos um pensamento, colheremos um ato; se semearmos um ato, colheremos um hábito; se semearmos um hábito, colheremos caráter; se semearmos caráter, colheremos um destino.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A viagem

De Sêneca para o mundo:

" Pensas que só a ti isso aconteceu e te admiras como se fosse uma coisa nova o fato de em tão longa peregrinação e em tanta variedade de lugares não teres tirado a tristeza e a gravidade da mente?. Deves mudar o ânimo, não o céu. Mesmo que atravesses o vasto mar, mesmo que se percam a terra e as cidades, os vícios te seguem e te perseguem aonde quer que vá".

Compreendamos a profundidade de nossa hipocrisia...
Somos um acaso cercados de fatos por todos os lados...e será assim onde quer que estejamos.
Uma coisa é certa e inegavelmente real: a felicidade é um estado de espírito e não um caso permanente de razões.

Por isso é importante preservarmos nossas raízes, por isso é tão complicado sermos autênticos.
No final do dia o que conta são os passos que você deixou para trás.
O que contabilizamos com isso: pegadas ou falhas?

Que benefício pode trazer uma nova jornada a quem quer que seja?, ela jamais controlaria prazeres, conteria paixões, reprimiria qualquer impulso de raiva.
Jamais haveria ou emitiria um julgamento.
A viagem não o fará melhor nem mais racional....apenas a utilidade de suas verdades possibilitarão mudanças significativas, aquelas quais você busca na nova etapa da vida:
O agora.
O tempo transcorre segundo as leis imutáveis...e que me importa as certezas da natureza se eu insisto em permanecer na incerteza?

Então tenha em mente que o dia e a noite só ocorrem em nossa inferior atmosfera. Tal pensamento não permite que deposites no fundo de sua alma nenhuma tristeza.
Seja hoje o que quer para o seu amanhã e não esqueça que onde quer que você esteja, não estará sozinho.

Por isso mesmo é preciso um único pensamento: Manter a paz de espírito.
Nela encontramos as respostas menos afoitas, a calma para discernir o certo do errado e principalmente ser indulgente com os verdadeiros afetos.
Os caros, os eternos, os reais.

Busque seu lugar no mundo, nem que para isso sua busca seja etérea.
Mais vale uma boa caminhada do que permanecer parado na própria ignorância.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dos enganos do mundo


Hoje, estou livre, não por meu próprio mérito, mas devido a um espetáculo ao qual todos os inoportunos chamam de acaso.
Ninguém interrompe a minha casa sem avisar, ninguém impede a minha reflexão, que nessa confiança, procede mais audaz.

A porta não se abrirá subitamente, ninguém levantará a cortina do meu escritório, poderei prosseguir livre de tudo, o que é tão necessário para quem caminha só e percorre uma estrada?.

Me permito descobrir coisas novas, modificar algumas e abandonar outras. Não sou servidor, apenas alguém que com eles concorda.
Porém falei demais quando prometi silêncio e solidão sem interrupção.

Penso que muitos exercitam os corpos e poucos exercitam a mente; quantos correm ao espetáculo dos jogos do qual nada será tirado de útil; penso no descaso com as boas artes. Quão débil é o espírito daqueles que admiramos ter músculos e envergadura.
E sobretudo, nisto, penso comigo mesma: se o corpo pode, através do exercício, resistir a socos e pontapés e não de um único homem, durante um dia inteiro sob o sol ardente na areia escaldante, perdendo sangue, quão mais fácil seria reforçar o espírito para que o recebesse invicto, aos golpes do destino, para que se erguesse novamente mesmo que fosse derrubado sempre.

De fato, o corpo precisa de muitas coisas para estar bem; o espírito ao contrário cresce por si mesmo, se alimenta e se exercita só.
O que é preciso para você se torne melhor?, apenas e unicamente vontade.

Concordo com a sua decisão de ficar escondido no ócio, afinal, muitos passam pelas coisas abertas e buscam aquelas escondidas e obscuras; as coisas seladas estimulam o silêncio. O melhor é não se vangloriar do próprio ócio, além disso é um tipo de exibicionismo esconder-se demais e afastar-se da vista de todos.
Chama a si a multidão quem faz do próprio ócio uma lenda.

Qualquer um tem o reconhecimento dos próprios males.
Qualquer um pode e deve seguir em frente.

Por instantes eu me afasto não apenas dos amigos e familiares, mas também de mim mesma.
Escrevo para transmitir advertências, tento mostrar aos demais uma particular sintonia, afinal, somos fisgados por armadilhas que nos atraem e por serem cautelosamente depositadas em nosso caminho, dificultam nossos sentidos sobre o a real percepção de enganos do mundo.
Cada dia, cada instante...reconhecemos o pouco que valemos, do muito que queremos transmitir.
Não há tolice maior do que admirar-se ao acaso.

Existe limite já fixado para nós pelo destino, mas esse final nenhum de nós sabe enquanto está vivo ou quão próximo está.
Por isso é preciso preparar nossa alma, não deixe nada para mais tarde.
É preciso acertarmos nossas contas com a vida dia após dia.

O defeito maior da vida é ela não ter nada de completo e acabado e o fato de sempre deixarmos algo para depois. Aquele que sabe levar sua vida no dia a dia não necessita de tempo, esta necessidade apenas aparece bem como o medo do futuro. Como fugir da inquietação?: não deixando nossa vida na pendência de um futuro incerto, mas que de fato se concentre nela mesma.
Só se concentram no futuro aqueles que estão insatisfeitos com o presente. Portanto quem quem vive na esperança do amanhã deixa escapar o presente.
Mais um dos enganos deste mundo...

Deixemos de lado a paixão que nos acelera e saibamos que o importante é não sofrermos por antecipação.

É preciso saber viver bem.
É preciso aprender a viver.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Rótulos

Na vida criamos rótulos ou apenas deixamos de viver por nós mesmos?
Nascemos com um propósito de sermos felizes, buscamos pela perfeição, mas falhamos em não admitir que perfeição é apenas um estado de espírito e não uma forma concreta de permanência.
Seguimos em frente com uma ideia pré-concebida de transformações, lendas e glórias...

Mesmo com todas as dúvidas e questionamentos, não deixamos de acreditar em forças, razões e todas as sustentabilidades possíveis. Humanizamos situações caóticas, rotulamos padrões.
É preciso força e determinação para criarmos nossa identidade, estabelecermos uma pisada neste mundo...sem isso, somos apenas bonecos sendo conduzidos por ventríloquos.

E quantos bonecos andam vagando por aí...incontestáveis criaturas certas de sí.

Identidade é o espelho da alma, tenha a sua e seja exclusivo. Não possua máscaras, pois a verdade é o único caminho para sua felicidade.

Há os que dão pouco do muito que possuem,
e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas.
Há os que pouco têm e dão-nos inteiramente.
Esses confiam na vida e na generosidade da vida e seus cofres nunca se esvaziam.

Há os que dão com alegria e essa alegria é sua recompensa.
Há os que dão com pena, e essa pena é seu batismo.
E há os que dão sem sentir pena, nem buscar alegria e sem pensar na virtude.
Dão, como num vale o mirto espalha sua fragrância no espaço.
Pelas mãos de tais pessoas Deus fala;
e através de seus olhos...
Ele sorri para o mundo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O agora


Intencionalmente lutamos contra o tempo...
Criticamos em demasia nossa involuntária vontade de querer...sempre mais.
De nada adianta fugir, nosso espírito sabe exatamente onde deve estar...ou pelo menos em como seguir em frente.

Queremos incendiar a razão em nome da felicidade que perseguimos.
Está além de nossas forças, creia....não existe freio.

O tempo é um lugar que nós é reservado, por isso devemos administra-lo para nossa própria sanidade.
O bem ou o mal, não importa, o que está em jogo é o quanto você se permite.
Para o nosso mal não há remédio...ninguém tem culpa da desunião que provocamos em nós mesmos.

Todos temos o próprio tempo a percorrer, a mesma quantia de sonhos, a mesma determinação; mas poucos compreendem o peso das decisões.
Insistimos em burlar o próprio sistema de segundos, por isso aqui está:
O agora é apenas uma soma pequena do que você fez e continua fazendo por você e para você.

Aprendemos todos os dias que o tempo é o senhor da razão e essa frase imaculada tem sim o seu grau de importância e cabe a nós compreendermos a hora e o lugar de levantarmos a cabeça e sacolejar o corpo.
Eu não sei dizer nada por dizer, então na maioria das vezes eu escuto.
Um bom conselho já dizia meu pai...ou pelo menos um começo bem interessante.


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inexplicáveis, coisas inexplicáveis e
pessoas incomparáveis..."
Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Chegadas e partidas


Já disse o poeta Fernando Pessoa: Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Então olhe para trás e me responda:
O que você ve?...

Chegamos e partimos a todo momento, caminhamos em diferentes rotas, percorremos destinos opostos, movimentamos corpo e mente, olhos e sentidos.
Então por que será que vivemos tentando nos firmar, quando viemos ao mundo para seguir em frente?

Se fosse simples ninguém o faria, o compreenderia, muito menos contestaria essa existência cheia de questionamentos relevantes.
É imprudência e desperdício... falhamos o tempo todo tentando acertar e mesmo assim insistimos no erro de maneira brutal, apenas pela indulgência e negligência de querermos mais.

Gostamos de ficar de frente com o risco, nosso sangue ferve através dos atos que deixamos cobertos pelas máscaras adquiridas no caminho.
Apreciamos o desconhecido e temos dentro de nós esse instinto puro e simples.
Somos uma imensa maioria dentro de nós...cada um com sua farta e intensa colaboração.

Eu fatalmente enlouqueceria se perdesse certos amigos. A alguns deles que não procuro, basta saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida, mas confesso ser delicioso saber e sentir que eu os adoro, embora não declare ou os procure sempre.

É apenas um passo entre ir ou ficar, cada um com seu peso e medida extremo, mas uma coisa nisso tudo é verdade: o que nos prende são os laços que construímos e ninguém, por mais que esteja convicto de seu próprio sentido, esta disposto a esquecer o que construiu lá atrás...queremos sempre agregar e nunca perder.

Mas há aqueles que acreditam que boas recordações alimentam a alma...
Desta forma, subentende-se que partir é algo bem subjetivo.

Compreendamos o fato que as pessoas não se precisam, elas se completam...não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e a vida. Com o tempo constatamos que para ser feliz com outra pessoa, é necessário primeiramente não depender dela.

Alimentemos o espírito, pois o corpo é apenas um quadro que pintamos, mas a moldura da alma tem um peso muito mais significativo para quem permanece...afinal: vão-se os anéis e ficam os dedos.
Assim deixamos guardado a doce lembrança daqueles que partem antes de nós.

Precisamos nos dedicar mais, cultivarmos nosso bom senso comum e acima de tudo saber dizer adeus como quem abre mão do próprio amor puro e simples.

"Segue o teu destino...
Rega as tuas plantas;
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
de árvores alheias"
Fernando Pessoa

sábado, 30 de julho de 2011

Referências



Referências são como pegadas que deixamos no mundo... curtas,espaçadas...fortes.
Para algumas pessoas o vazio as define, para outras o muito ainda é pouco.
Um certo tipo de quebra cabeças... vivemos desvendando nossas pegadas, tentando nos encaixar em um sistema cíclico..contínuo.

Existem dúvidas sobre o poder que possuímos sobre nós mesmos, nossa verdade pessoal.

Imagine um livro aberto que preenchemos com histórias e memórias, estas que recebemos e doamos, somos intencionalmente arremessados.
Batemos de frente, tentamos fugir, escapar...mas a vida se encarrega de desabrocharmos para um ímpar interior, aquele que surge quando estamos desavisados.
Ninguém procura compreender suas raízes até sentir o chão se abrir e não ter onde se segurar.

Existem e sempre existirão exemplos, não se pode viver sem eles.
Exemplos são como vento que varrem os segundos, tão rápido que não conseguimos segurar.
Assim são os sopros que recebemos...sua força intensa e sublime nos mostram como devemos escrever nossa história, mesmo que perdure como uma ventania fora de hora e lugar, assim chegando e desaparecendo.
E isso não é fugaz a ponto de você compreender sua existência tão querida?

O que importa de verdade é que você se encaixe dentro deste seu universo paralelo, pois por mais que tenhamos vontade plena de estarmos dentro de um conjunto, somos uma união ímpar de razões e sensibilidades atribuídas. E nada nem ninguém pode tirar o que lhe foi concedido por suas raízes interiores.
Aproveite esta brisa leve e flamejante com seus sabores intensos e texturas inconcebíveis para aceitar que as referências servem de sombra para o caminho que percorremos e dentro desta mistura, somos um objeto relutante que insiste em permanecer, e que nesta verdade absoluta saber como nos despedir do passado faz parte desta encruzilhada chamada vida.

Desconsidere acelerar, calma ainda o remédio mais prudente que devemos nos esbaldar.

Ninguém está preparado para o deserto de dúvidas, nem tão cheios de si a respeito dos lagos de certeza...metáforas sempre existirão, sabia?
Então aprenda a escutar mais do que falar, observar mais do que olhar e acima de tudo reverencie suas raízes, pois são elas as responsáveis pela criação de sua verdadeira essência.
Você é tudo aquilo que vem de muito tempo, um tudo complexo e cheio de vontades e desejos, manias e teimosias, suas digitais carnais.
Você sabe bem quantas portas tem o seu coração ou quantos caminhos possui o seu labirinto?

Assuma o controle de sua existência e deixe portas abertas, pois elas certamente trarão novas possibilidades e infinitas dúvidas para você seguir em frente.
Não tenha medo de dizer adeus, pois a vida que se encerra traz outras milhares e cada pessoa sempre doa um pouco de si, não é? e nesta profundidade, seguir em frente é muito mais que um plural, porém não se surpreenda se de vez em quando se deparar com algo tão incrivelmente similar, são os ventos que voltam trazendo o doce perfume daqueles que já se foram.

Assim são as referências, os espelhos, a essência.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O TEMPO


Uma pausa... assim descrevo o tempo.
Um percurso estreito, um trajeto finito que nos é concedido ao iniciarmos nossa jornada pela vida.
Ninguém possui controle do tempo, ninguém está a salvo de surpresas, apenas do momento e seu controle inerte, muitas vezes sem direção.

Presenciamos acontecimentos, estupefatos ou apenas encostados, essa dose de intensidade a qual nos inclinamos salvam nossos minutos de passarem em vão.
Ainda é pouco, assim seguimos em frente.

Falar sobre o tempo tornou-se algo bem subjetivo.

De uma coisa temos de ter certeza:
De nada adianta apressarmos as coisas, tudo vem a seu tempo...dentro de um prazo que foi previsto. Mas a natureza humana não é muito paciente.
Possuímos pressa em tudo e aí, acontecem os atropelos do destino, aquela situação que você mesmo provoca por pura ansiedade de não aguardar o tempo certo.
Mas alguém poderia dizer qual é esse tempo certo?

Basta observarmos os sinais...
Quando alguma coisa está para acontecer ou chegar até sua vida, pequenas manifestações do cotidiano enviarão sinais indicando o caminho certo.
Pode ser uma palavra de um amigo, um texto lido, uma observação qualquer.
Mas, com certeza, o sincronismo se encarregará de colocar você no lugar certo, na hora certa, no momento propício, diante da situação ou pessoa certa.

Basta você acreditar que nada acontece por acaso. Talvez por isso que você esteja agora lendo essas linhas.
Tente observar melhor o que está a sua volta. Com certeza alguns destes sinais já estão por perto e você nem os notou ainda.
lembre-se de que o universo sempre conspira a seu favor quando você possui um objetivo claro e uma disponibilidade de crescimento.

O tempo passa?
Não passa no abismo do coração
lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu
transcedem qualquer medida.

Além do amor, não ha nada,
amar é o sumo da vida.
Pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade".

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Ainda ontem pensava que não era


Ainda ontem pensava que não era

mais do que um fragmento trémulo sem ritmo

na esfera da vida.


Hoje sei que sou eu a esfera,

e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:

" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia

sobre a margem infinita de um mar infinito."


E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito,

e todos os mundos não passam de grãos de areia

sobre a minha margem."


Só uma vez fiquei mudo.

Foi quando um homem me perguntou:

"Quem és tu?"


Kahlil Gibran


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Você é você



Foi Clarice Lispector quem disse:
"Você de repente, não estranha de ser você?

Neste contexto infindável, é necessário cautela para nos comunicarmos com os sinais que constantemente estreitamos em nosso cotidiano.
Em nome do que?.

Simples assim para poucos. Talvez por isso a maioria ainda viva repleto de olhares complicados e atitudes impensadas...todos querem descobrir uma forma de continuar em frente, mesmo que para isso assuma posturas e condutas insuficientes a sua essência.
Nada compreensível viver em meio ao próprio caos.

A maioria ainda desconhece o doce sabor da vida, talvez por isso o amargo ainda seja o sentido mais aguçado das pessoas. Elas mantém o sentido de preservação e para isso nada mais conveniente do que se afastar.

Você é você, e isso é singular, para não dizer caótico.
Mas quem foi que disse que seria fácil?
Viver em meio ao caos nos fornece bons argumentos, mas também peculiares saídas...se é que me compreende.

Por isso não estranhe o fato de ser no mínimo "contemplativo", pois em meio ao natural descobrimos a grandeza e a profundidade da essência humana...aquela que invariavelmente esquecemos em nome da razão.
Coerência ou bom senso... ainda não denominamos o caminho, apenas seguimos em frente em busca de alternativas que nos façam mais presentes com nossos valores e acima de tudo, aquecidos com nossa existência.

Ninguém está só, por isso ser quem você é exige muito mais do que se imagina...comprometimento, condutas e posturas diferentes. Todo terreno é assim, então acostume-se a pisar de forma irregular, menos plana e segura.
O seguro é sustentável, porém é previsível. E na vida um pouco de surpresas agrada não somente a alma, mas alimenta o espírito que certamente necessita deste tempero adocicado.

A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.
" Carlos Drummond de Andrade"

A lição meus caros, sabemos de cor...só nos falta aprender.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dose certa



A medida é o extremo, isso é o provável mas impossível de aceitar.
Nos submetemos diversas e intensas vezes, mas seja como for, a dose certa surge quando não nos programamos.
O que acontece é que nos jogamos por impulso, arremessamos nossas vontades e nem sempre estamos preparados para resgatar as respostas que caem no percurso.
Desta forma compacta..andamos de frente, entre as arestas e brechas que o caminho nos permite enxergar.

Por mais vago e difícil que possa parecer, precisamos compreender nossa relação com o tempo e o peso que ele acomoda sobre nossos ombros, cansados...tremendamente insatisfeitos. Existe um paralelo que descreve o tempo como um breve momento de relevância oportuna, ou: nada mais do que os minutos que dedicamos a nossa involuntária vontade de seguir em frente.
Algo extremamente volátil, ambíguo para alguns; o certo é que cada um sabe a dor de ser o que é, justamente por não conseguir ser o que gostaria de ser: livre.

O que é o muito?, se não o pouco lentamente...

Tempo é uma escolha e; encontrar a dose certa é sem dúvida a maior e árdua tarefa que precisamos aprender.
Mas somos a insistência, a imprudência galopante...escutamos nossa consciência quando nos inclinamos ao vazio. E creia: nada mais caro do que compreender o tempo quando ele nos é negado.

A negligência é a resposta por vivermos correndo.
Para que a pressa exacerbada, se caminhar ainda é a maior contemplação?
Precisamos parar e refletir sobre nossas decisões; o caminho é longo e as escolhas que fazemos hoje refletem na erosão do amanhã.

Existe uma sutil diferença, aquela que passa desapercebida para os que correm contra o tempo e que verdadeiramente reina sobre os que procuram compreender o simples ato de brecar: continuar seguindo sem acelerar o passo.

Ainda vale a pena sentir nossa própria velocidade de ser...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Esperar


Ainda é um fato complicado; essa tal de forma exacerbada de esperar.
Esperamos por tudo, de formas e contextos tão complexos...com inúmeras indagações.
Começo então por onde menos compreendo: aceitar.
Jogamos para frente a única maneira de sobreviver: com calma.

Não aceitamos, apenas nos inclinamos para o lado mais fácil, cremos no peso e medida mais do que em fatos e concepções reais.
Anda desejamos a pressa como fonte única de respostas.
Não creditamos a paciência sua devida forma, sua devida maneira de se apresentar.
Nos colocamos demais na frente, de frente talvez.
Por que é tão complicado lidar com a espera?

Certamente se tivéssemos essa resposta, não estaríamos todos nesse ciclo intenso de ansiedade. Um veneno que bebemos lentamente, dolorosamente, por exclusiva e fatal forma de viver. Escolhemos, optamos...da-se o nome que bem queira.
É difícil lidar...conviver com nossos tormentos. Cobramos dos outros atitudes que devemos ter com nós mesmos; compreender a espera é um começo.
Faz parte da vida, faz parte de nosso tempo.

Acredito que a calma é um processo lento que adquirimos no decorrer de nossa história, uma pausa lenta e longa que realizamos ao começar a enxergar a vida por cima.
Nos importamos aos instantes de prazer, aos segundos de calmaria que nos arrebata em princípios. A espera nada mais é que uma vírgula entre o espaço/tempo, certamente uma ansiedade cruel que faz parte da nossa essência efêmera.
Mundo moderno?...creio no visceral limiar da preguiça acumulada em deixar acontecer.
Complicado isso, mas o estúpido ainda crê em tempos modernos e esquece de continuar respirando.

Nos sufocamos com nossas próprias incertezas.

Sentar e esperar é um fato aclamado, então quando este passar a ser um sonho volte e recomece: Na vida temos apenas um ciclo: o contínuo.
O fato é que quanto mais o tempo passa, mais respostas vamos obtendo...afinal, cada coisa a seu tempo.
Sabemos que o presente é a força mais centrífuga que existe, ela nos arremessa para frente, independente de onde queremos estacionar.
Não espere sinais, procure interação. Talvez more aí uma possível compreensão sobre o seu tempo e sua verdade pessoal sobre a espera.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A grandeza do não


É apenas o oposto, compreendamos os fatos.
Vontades e verdades sejam ditas e uma hora o bom senso deve prevalecer.
Dizer não é difícil e isso equaliza em um aprendizado relevante, uma leve fatia da população que de fato exerce seu direito exclusivo-negativo de viver.
Evocar o não...sim!

Por tras da teoria, carregamos o sentido literal da palavra incompreensão.
Um fato que invariavelmente se mistura ao contexto. E onde estamos nisso tudo?
Provavelmente respondendo com uma certa vergonha em admitir nosso próprio egoísmo fundado.
Dizer não é tão insustentável...

E nessa roda acelerada permanecemos paralisados diante do caos em admitir nossa verdade de seguir em frente mesmo com todos os impulsos voltados para frente, como uma flecha que disparamos ao léo.
Queremos tanto ficar em ordem com nossa consciência que esquecemos de interagir com nossa vontade, deixamos o não como um elo de ligação muito mais forte que nossa intensa presença.
Nos acostumamos demais a permanecer sorrindo diante de tudo e de todos, um erro meramente intencional.

Onde estão nossos conceitos e decisões?.
Diversas vezes nos deparamos com pessoas indecisas, problemáticas que concordam com tudo, apenas por terem sido criado com o sim.
Por mais controverso que seja, dizer não é uma parte vital das relações de amor e contribui desenvolvendo a autonomia e a maturidade.

Nós possuímos o direito de discutir, questionar e decidir e; por que não de dizer não?.
É mais fácil dizer sim do que bancar um não sem retorno, mas acredite repensar e mudar vale mesmo a pena.
A vida não nos pede nada, por isso doar uma verdade é o bem mais precioso que você pode fazer por si, somos um ser único e isso é muito mais do que podemos admitir em favor próprio.
Doação não é obrigação.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Permissão


Infinitas possibilidades, incrédulas visões.
Nos manifestamos de forma incorreta, insubstancial de formas e contextos superficiais.
Onde não há calor, certamente predomina a incerteza.

No bravo cedro imposto, a rigidez das palavras, o olhar desatento.
Uma incapacidade notável de ser...cada vez menos.
Existem sutis ressalvas, notavelmente reveladas através de incansáveis olhares.

Um talvez ou quem sabe agora, inclinar-se para a calmaria e deleitar-se ao sono dos justos pode ser a maior de todas as transformações permitidas por nosso inconsciente cansado, deleitemos o raro momento de quietude.

Mas hoje, assim como ontem em que por diversas vezes relaxamos ao sabor do vento, refletimos sobre as permissões que nos disponibilizamos.
Somos livres, mas colhemos frutos de sabor amargo, um tempero que ainda não sabemos provar, mas que ainda faz parte de nossas escolhas diárias.
Somos impulsionados ao trivial ou apenas não sabemos como nos surpreender?

Permissão é apenas uma palavra de ordem natural, que de natural possui apenas a idealização, pois o contexto é extenso e duvidoso.
Como uma gota de água que cai lentamente, diminuímos o ritmo a favor da espera.
Ainda cremos em um contexto maior que a realidade, fruto da total falta de compatibilidade com a vida.

Não nos permitimos...
Ficamos presos, encapsulados dentro de nós mesmos.
Insensíveis ao passado, atacados pelos nossos medos. Permanecemos presos por paredes, criadas em momentos de desespero, perpetuando nossas fraquezas, persistindo em velhos conceitos, deixando brincar nossos defeitos e ainda remoendo possíveis segredos...em uma expectativa danada, uma distância pouca, uma ânsia louca e ainda em uma procura desesperada de um abraço que nunca aconteceu e de um sorriso que por pouco tempo existiu.

Sonhamos uma vida cor de rosa. Adoecemos nossa alma.
Tudo tingimos de tons acinzentados. Assistimos, exaustos, ao mesmo espetáculo.
Entorpecemos-nos de viver pouco a vida. Deixamos na poeira dois corações murchos,
Devastados pela existência e saciados dela.
Não aprendemos a técnica, erramos a fórmula da mágica, fechamos todas as portas e cortinamos todas as janelas.

Ainda não enxugamos nossos olhos e o suplício persiste em fazer morada nestes corpos sedentos de amor, porém, fartos dessa magia que é o viver.


Não nos permitimos..perdemos-nos em crateras; transformamos tudo em dor.
Deixamos nascer uma triste primavera onde brotou uma rosa inócua,
Inodora, insípida e incolor.

Por que?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Fatos



Tempo e limite...

Um limiar curvo, porém contínuo de possibilidades e fatos concretos.

Sentimos demais ou presenciamos com uma intensidade menor?


Essa intensidade absoluta que insistimos em desviar, é a compressora força que carregamos sem perceber. Buscamos acontecimentos; mas esquecemos de nos entregar quando eles aparecem.

Um medo incondicionalmente racional.


Que força é essa que nos faz medir os passos que tanto queremos dar?, o seguro e o ideal dificilmente caminham de mãos dadas. Por isso arriscar ainda é o maior salto que devemos nos permitir.


Na vida ou você se propõe...ou...

Boas lições são aquelas que tiramos de situações inesperadas...um feliz e satisfatório encontro com o acaso.

Quem foi que disse que devemos cumprir uma jornada baseada em exemplos?. Seguramente foi o mesmo tolo que viveu sem ao menos existir.


Cada um pode e deve ser o que bem quiser, afinal, por mais cliché que se possa parecer, ninguém está aqui para sofrer.

Mas ainda é muito difícil conquistar compreensão diante de um mundo tão seguramente cruel.

Uma mistura fatalmente heterogênea.


Fato: precisamos nos encontrar antes de mais nada e aprender a deixar de lado paradigmas alheios como exemplos de conduta / postura.

Saber como e onde dizer não, você sabe?

Um bom começo para uma mente no mínimo confusa.