domingo, 21 de março de 2010

A pausa

Todos os domingos eram mesmo assim: passavam depressa demais, incrivelmente assistindo a um filme sobre uma família e seu cachorro, entre um prato de macarronada, um copo de coca e muitos primos em volta da TV da sala do tio Toninho.
Realmente é fácil criarmos um arrebatamento de emoções, ou como meu pai dizia: lágrimas perenes.

Quantos sorrisos e reflexões despertamos no decorrer do dia.
Entre primos e primas, tios e tias, o único inquestionável alí era o tio Antônio e suas tão bem cuidadas gaiolas de sabiás, sempre disposto a contar como seus pássaros chegavam e saíam, pois suas portinholas permaneciam sempre abertas, como um convite ao paraíso e um pouso seguro...e de fato eles vinham mesmo, minha tia Odete quem diga, sempre varrendo sua varanda com restos de alpistes e penagens coloridas.
De fato, entre papos de gaiolas e uma partida de pontinho, um bom brinde encerravam as duscussões entre as apostas sobre os resultados dos jogos de futebol de final de tarde.


As recordações daquele domingo serão questionadas durante um bom tempo, pois as exaltações na mesa com falatórios e tilintares entre um copo e outro, certamente fizeram transbordar boas risadas daquela doce, mais tão tumultuada reunião.


O que importa são os valores que carragamos e naquela tarde chuvosa existiam particularmente, dois indivíduos na sala principal, ambos questionando um ao outro sobre suas verdades e supostas mentiras, sombras na maioria das vezes.
Que saudades dos tempos em que a preocupação era apenas uma viagem entre amigos, um afago no cachorro e um simples almoço em família...doce família, posso assegurar.

Se aquele pensamento de fato pudesse ser descrito certamente seria: Vivemos plenamente ou apenas deixamos a vida nos levar? ou acomodar?
Mas é preciso concordar quando dizem que o importante na vida são os momentos que idealizamos e os caminhos que optamos em percorrer.
Eis aqui então a verdadeira lição, entre uma partida e outra, criada pelo meu pai:
Aprendamos com o amor, ou viveremos para a dor.

Isso é ou não é um incentivo a pausa?

3 comentários:

  1. Gostei muito, pausa, te amo, pausa, beijos!

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  2. Uma vez li que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Prefiro absorver o amor, pois viver é muito perigoso (Li em Guimarães Rosa)
    Adorei
    não pause por muito tempo
    escreva mais. especialmente contos familiares
    leia alguns da Clarice Lispector e inspire-se mais
    bjs e saudade
    me fale sobre o fim de semana, ok?

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  3. Tempo para pausa...
    Talvez o maior tesouro nestes tempos de loucura desenfreada.
    Beijoooo

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